Mistério e repercussão: Ponte histórica de Prados é furtada e encontrada em empreendimento turístico

A estrutura, centenária e de grande valor cultural, foi retirada da zona rural de Prados e levada para a Zona da Mata mineira; empresa alega compra legal.

Um crime inusitado e de grande impacto ao patrimônio histórico de Minas Gerais tem movimentado a região do Campo das Vertentes. Uma ponte metálica histórica, que integrava um trecho desativado da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, no município de Prados, foi furtada de uma área rural conhecida como Rota 58, próximo ao povoado da Pitangueira.

A complexidade da ação

O desaparecimento do pontilhão, que possui cerca de 20 metros de extensão e 5 metros de largura, intrigou as autoridades pela ousadia da operação. Apesar do porte da estrutura — composta inteiramente por ferro maciço —, moradores locais relataram que não notaram movimentações suspeitas, uso de maquinário pesado ou presença de estranhos na região nos dias que antecederam a constatação do furto.

A peça, uma relíquia da engenharia do final do século XIX, foi construída na Inglaterra na década de 1880 e enviada ao Brasil para servir à malha ferroviária da antiga Rede Ferroviária Federal. Atualmente, a estrutura fazia parte do patrimônio histórico do município, sendo um dos marcos do desenvolvimento econômico e social que o trem trouxe para a região no século passado.

O paradeiro e a polêmica

Após o registro do boletim de ocorrência pela Polícia Militar e a instauração de inquérito pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), as investigações levaram a uma descoberta surpreendente: a ponte foi localizada no Ibiti Projeto, um renomado empreendimento turístico situado em Lima Duarte, na Zona da Mata mineira.

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Em um desdobramento que gerou grande repercussão, o empreendimento se manifestou oficialmente, afirmando ter adquirido o bem de forma regular. Segundo a empresa, a ponte foi comprada por R$ 700 mil junto a um comerciante do ramo de antiguidades.

Posicionamento do Ibiti Projeto

Em nota enviada à imprensa, o Ibiti Projeto declarou ter sido surpreendido com a notícia de que a estrutura possuía origem ilícita. A empresa reforçou que todo o processo de aquisição contou com a emissão de nota fiscal e que o transporte da peça foi realizado com as autorizações exigidas pelos órgãos competentes.

"O Ibiti Projeto esclarece que a ponte metálica recentemente transportada foi adquirida de forma regular junto a comerciante do ramo de antiguidades, mediante emissão de nota fiscal e demais documentos pertinentes", informou o comunicado. A empresa destacou ainda que, assim que tomou conhecimento das suspeitas, procurou as autoridades para apresentar a documentação e colaborar integralmente com as apurações.

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O que dizem as autoridades

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca agora esclarecer a origem da nota fiscal apresentada pelo comprador e a responsabilidade do comerciante que teria intermediado a venda da estrutura patrimonial.

O furto de bens públicos de relevância histórica configura grave dano ao legado cultural de Minas Gerais. O Ibiti Projeto finalizou sua nota reiterando seu compromisso com a preservação ambiental e histórica, afirmando que permanece à inteira disposição da justiça para elucidar o caso.

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