CONTAGEM (MG) – Uma mulher de 29 anos e seu vizinho, um jovem de 18 anos, foram vítimas de uma sessão de tortura bárbara na última quarta-feira (22), no bairro Vale das Amendoeiras, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O crime foi orquestrado e assistido em tempo real, via videochamada, pelo marido da mulher, que cumpre pena em uma unidade prisional em Ribeirão das Neves.
"Tribunal do Crime" Particular
A motivação, segundo as investigações preliminares, seria uma crise de ciúmes do detento, que suspeitava de um envolvimento amoroso entre a esposa e o vizinho. Para "punir" as vítimas, o homem acionou três comparsas do lado de fora.
De acordo com o relato das vítimas à Polícia Militar, o presidiário deu ordens específicas e sádicas através da tela do celular:
-
Exposição: As vítimas foram obrigadas a tirar as roupas.
Continua após a publicidade -
Queimaduras: Com o uso de um ferro de passar roupas quente, os agressores queimaram as pernas, as mãos e as partes íntimas da mulher. O vizinho também sofreu queimaduras graves na região genital.
-
Mutilação: Os criminosos utilizaram um alicate para apertar a genitália do rapaz de 18 anos, causando lesões severas.
-
Violência Física: Além das queimaduras, ambos foram alvo de diversos socos e chutes durante todo o período da invasão.
Continua após a publicidade
Intervenção Policial e Fuga
A Polícia Militar chegou ao imóvel, localizado na rua Eugênio Toledo Lopes, após receber denúncias de uma invasão de domicílio em curso. Ao notarem a presença dos militares, os autores tentaram fugir pulando janelas e muros de residências vizinhas.
Durante o cerco, um adolescente de 17 anos foi alcançado e apreendido. Com ele, os policiais encontraram o celular da mulher e uma arma de fogo, que o menor tentou descartar na garagem de uma casa próxima antes de ser rendido. Os outros dois envolvidos conseguiram escapar e seguem sendo procurados pela inteligência da polícia.
Socorro e Relatos de Abuso
As vítimas foram encontradas em estado de choque e visivelmente debilitadas. Elas foram socorridas por unidades do SAMU e encaminhadas para a UPA do bairro Ressaca, onde receberam cuidados médicos urgentes devido à gravidade das queimaduras e traumas físicos.
Em depoimento, a mulher revelou que o histórico de violência do marido é antigo e que ele sempre a submeteu a agressões físicas e psicológicas, mesmo antes de ser preso.
Investigação e vácuo no Sistema Prisional
Após a confirmação de que o crime foi coordenado de dentro da prisão, uma vistoria de emergência foi realizada na cela do detento em Ribeirão das Neves. No entanto, o aparelho celular utilizado para realizar a videochamada e comandar a tortura não foi localizado, levantando questões sobre a entrada e o descarte de objetos ilícitos na unidade.
Nota da Polícia Civil: O adolescente apreendido foi conduzido à 2ª Central Estadual do Plantão Digital. Segundo a PCMG, foi lavrado um Auto de Apreensão em Flagrante por ato infracional análogo ao crime de tortura. O menor foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá pela sua internação em unidade socioeducativa.
O caso agora está sob a responsabilidade da 7ª Delegacia de Polícia Civil de Contagem, que trabalha para identificar os outros dois executores e apurar como o presidiário manteve a comunicação externa para articular o crime.