UBERLÂNDIA (MG) – Um vídeo que circula intensamente nas redes sociais desde o último fim de semana registrou o momento de desespero do mineiro Marco Alexandre, de 56 anos, ao se despedir de sua família para começar a cumprir uma pena de 14 anos de prisão. O ex-policial militar é um dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
O registro, feito na última sexta-feira (17), mostra Alexandre abalado emocionalmente antes de se apresentar a polícia em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
"Eu honrei com vocês": O Desabafo antes da Prisão
Nas imagens, o ex-policial aparece chorando e questionando a decisão judicial. Marco Alexandre cumpria prisão domiciliar desde 2025, monitorado por tornozeleira eletrônica, enquanto aguardava o trânsito em julgado de sua sentença. Com a expedição do mandado de prisão definitiva, ele deve cumprir a pena em regime fechado.
“Eu não aguento mais. Por que tanta injustiça? Vocês conseguiram o que queriam. Eu honrei com vocês, eu fiquei aqui”, desabafou Marco, referindo-se ao fato de não ter fugido durante o período em que respondeu ao processo em liberdade.
Em um momento de vulnerabilidade, ele pede perdão à mãe e implora por um último abraço. O vídeo também contém um apelo direto às autoridades judiciárias: “Pelo amor de Deus, tenha consciência, acaba com isso. Chega de injustiça. Para de prender gente inocente”.
As Acusações e a Condenação
Marco Alexandre foi julgado pelo STF dentro do bloco de executores dos ataques às sedes dos Três Poderes. A Corte fundamentou a condenação de 14 anos baseada em crimes previstos no Código Penal, tais como:
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Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
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Tentativa de golpe de Estado;
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Dano qualificado ao patrimônio da União;
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Deterioração de patrimônio tombado.
O STF sustenta que as penas, que frequentemente ultrapassam uma década de reclusão, são proporcionais à gravidade da tentativa de ruptura institucional e aos danos físicos causados ao Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional e ao prédio do próprio Supremo.
Repercussão Política e Jurídica
O vídeo de Marco Alexandre tornou-se combustível para o debate político em Brasília. De um lado, parlamentares de oposição e movimentos de direita utilizam as imagens para criticar o que chamam de "rigor excessivo" e "dosimetria desproporcional" das penas aplicadas pelo ministro relator Alexandre de Moraes e referendadas pelo plenário.
Por outro lado, juristas e defensores das instituições democráticas reafirmam que o cumprimento das sentenças é uma etapa necessária do processo legal, especialmente após o esgotamento de recursos. Para o STF, a postura firme serve como um marco pedagógico para evitar novos episódios de violência política no país.
Próximos Passos
Após se entregar em Uberlândia, o ex-PM passou por exames de corpo de delito e foi encaminhado ao sistema prisional mineiro. A defesa do condenado ainda não informou se tentará novos recursos humanitários ou pedidos de progressão de regime baseados em questões de saúde, embora a condenação em regime fechado dificulte medidas imediatas de soltura.