Operação Narco Fluxo: PF prende Raphael Sousa, da página Choquei, em esquema de R$ 1,6 bilhão

Investigação aponta o influenciador como "operador de mídia" de um grupo criminoso. Os cantores MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e o influenciador Chrys Dias também foram detidos na ação que abalo

GOIÂNIA (GO) – Em uma das maiores ofensivas contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro no Brasil, a Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Narco Fluxo. Entre os alvos principais está Raphael Sousa Oliveira, criador e proprietário da página de fofocas Choquei, uma das maiores do país. Ele foi preso em sua residência, em Goiânia.

A operação visa desmantelar uma rede sofisticada que movimentou, ilegalmente, mais de R$ 1,6 bilhão por meio de esquemas de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e exploração de jogos de azar.

O Papel do "Operador de Mídia"

Segundo informações preliminares divulgadas pela Justiça e confirmadas pelo portal G1, Raphael Sousa não atuava apenas no entretenimento. As investigações o apontam como o "operador de mídia" da organização criminosa.

O esquema funcionava da seguinte forma: o influenciador supostamente recebia vultuosas quantias para produzir, impulsionar e divulgar conteúdos que favorecessem os cabeças do grupo. Essa estratégia servia como uma espécie de "blindagem digital", limpando a imagem de investigados e promovendo operações ilícitas como se fossem negócios legítimos.

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Celebridades e Influenciadores na Mira

A Operação Narco Fluxo não se limitou ao dono da Choquei. A Polícia Federal cumpriu mandados contra figuras de destaque no cenário do funk e das redes sociais:

  • MC Ryan SP e MC Poze do Rodo: Os cantores foram presos sob suspeita de envolvimento na ocultação de valores.

  • Chrys Dias: O influenciador, conhecido por ostentar carros de luxo e promover rifas, também foi detido.

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Ao todo, a PF mobilizou centenas de agentes para cumprir 39 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão espalhados por diversos estados do Brasil.

Engenharia Financeira: Empresas de Fachada e Criptoativos

A investigação detalha um ecossistema complexo para esconder o rastro do dinheiro. O grupo utilizava:

  1. Empresas de Fachada: Companhias registradas em nomes de "laranjas" para simular prestação de serviços.

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  2. Transporte de Dinheiro Vivo: Malotes de espécie eram movimentados para evitar o sistema bancário tradicional.

  3. Criptoativos: O uso de moedas digitais era a principal ferramenta para a evasão de divisas e a lavagem do capital oriundo do tráfico de entorpecentes.

O Que Diz a Defesa

Em depoimento prestado na sede da PF em Goiânia, Raphael Sousa Oliveira negou qualquer envolvimento com o crime organizado. Ele declarou que seus rendimentos mensais — estimados em cerca de R$ 400 mil — são provenientes exclusivamente de contratos publicitários e da monetização de suas redes sociais.

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A defesa do proprietário da Choquei informou que ele está colaborando com as autoridades e que um pronunciamento oficial será emitido assim que os advogados tiverem acesso integral aos autos do processo.

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