BETIM (MG) – Na tarde desta terça-feira (14), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou uma importante apreensão de medicamentos sem registro sanitário no Brasil. Uma jovem de 21 anos foi detida no km 499 da rodovia Fernão Dias (BR-381), transportando centenas de ampolas de um fármaco utilizado para perda de peso, cuja comercialização é vetada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A Abordagem e o Disfarce
A ação teve início quando agentes da PRF, em operação de rotina baseada em critérios de análise de risco, deram ordem de parada a um veículo de passeio. O automóvel operava através de plataformas de transporte por aplicativo e realizava o trajeto interestadual entre a capital paulista e Belo Horizonte.
Ao ser questionada pelos policiais, a passageira demonstrou nervosismo e apresentou uma justificativa vaga para a viagem, alegando que se deslocava para a capital mineira por "motivos familiares". A inconsistência no relato levou os agentes a realizarem uma busca minuciosa nos pertences da suspeita.
Compartimento Oculto e Material Apreendido
Ao revistar a bagagem, os policiais encontraram um compartimento oculto (fundo falso) onde estavam escondidas 82 caixas do medicamento Tirzepatida T.G 15. No total, foram contabilizadas 328 ampolas da substância.
A Tirzepatida é um princípio ativo utilizado em tratamentos de última geração para diabetes tipo 2 e obesidade, mas a versão apreendida (T.G 15) não possui autorização dos órgãos reguladores brasileiros para venda ou distribuição, configurando uma grave irregularidade sanitária.
Consequências Legais
A comercialização e o transporte de medicamentos sem registro no órgão de vigilância sanitária competente podem ser enquadrados como crime hediondo, conforme o Artigo 273 do Código Penal, que trata da falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.
A mulher recebeu voz de prisão em flagrante e foi conduzida, juntamente com todo o material apreendido, para a Delegacia de Polícia Judiciária em Betim. O motorista do aplicativo foi ouvido e liberado, uma vez que, até o momento, não foram encontrados indícios de sua participação no transporte do ilícito.