SÃO PAULO – O patrimônio imobiliário da família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), registrou um crescimento expressivo nos últimos cinco anos. De acordo com um levantamento detalhado publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo, foram investidos cerca de R$ 23,4 milhões na aquisição de novos imóveis, com um detalhe que chamou a atenção: todas as operações foram realizadas com pagamento à vista.
A evolução patrimonial compreende o período entre a indicação de Moraes ao STF, em 2017, e o fechamento do último ano fiscal, gerando repercussão nos círculos políticos e jurídicos do país.
Salto no valor e quantidade de imóveis
Os dados indicam que, antes de assumir a cadeira na Suprema Corte, o patrimônio declarado da família era de aproximadamente R$ 8,6 milhões, distribuídos em 12 propriedades. Atualmente, esse valor saltou para R$ 31,5 milhões, totalizando 17 propriedades.
Resumo da evolução:
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Patrimônio em 2017: R$ 8,6 milhões (12 imóveis).
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Investimento recente: R$ 23,4 milhões em novas aquisições.
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Patrimônio Atual: R$ 31,5 milhões (17 imóveis).
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Forma de pagamento: Operações realizadas à vista.
As propriedades e a origem dos recursos
As aquisições envolvem apartamentos de alto padrão em áreas nobres e imóveis comerciais. A maior parte das propriedades está registrada em nome do ministro, de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, ou de empresas ligadas ao casal.
A defesa do ministro e de sua família sustenta que o crescimento patrimonial é totalmente compatível com a renda acumulada ao longo de décadas de trabalho na advocacia privada e na vida pública. Argumentam, ainda, que os valores investidos provêm de lucros e dividendos da banca de advocacia da família e de aplicações financeiras lícitas.
Repercussão e Transparência
O caso acendeu um debate sobre a evolução patrimonial de figuras públicas e os mecanismos de fiscalização. No Brasil, magistrados são obrigados a declarar seus bens ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Receita Federal, embora tais declarações não sejam, em sua maioria, abertas ao público geral por questões de segurança e privacidade.
Especialistas e parlamentares têm se dividido sobre o tema:
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De um lado, há quem defenda que o pagamento à vista de valores tão elevados exige uma transparência ainda maior para evitar questionamentos sobre a origem dos recursos.
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De outro, aliados do ministro afirmam que se trata de uma tentativa de desgaste político, uma vez que a atividade advocatícia da família é consolidada há anos em São Paulo.
Próximos passos
Embora não exista, até o momento, qualquer investigação formal ou indício de ilegalidade nas compras, a divulgação dos valores coloca a família de Moraes sob o holofote do escrutínio público em um momento de alta polarização política no Brasil.