SÃO PAULO – O Governo do Estado de São Paulo oficializou, nesta quinta-feira (2 ), a passagem para a inatividade do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. O oficial está preso preventivamente, acusado de assassinar a tiros a própria esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana. A decisão, publicada no Diário Oficial, ocorre em meio ao processo que apura o crime de feminicídio e fraude processual.
Aposentadoria e Valores
Mesmo sob custódia no Presídio Militar Romão Gomes, Geraldo Neto teve sua portaria de inatividade publicada. Até então, o oficial recebia vencimentos brutos na casa dos R$ 28 mil (aproximadamente R$ 15 mil líquidos). Com a passagem para a reserva, estima-se que seus rendimentos brutos fiquem em torno de R$ 21 mil, com um valor líquido que pode variar entre R$ 15 mil e R$ 18 mil.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) já deu início a um procedimento administrativo que pode culminar na expulsão definitiva do oficial. A grande questão jurídica que paira sobre o caso é se uma eventual condenação e a perda da patente resultariam no corte total da remuneração, ou se o benefício seria mantido para a família, conforme interpretações de regimes previdenciários militares.
Relembre o Crime: Do "Suicídio" ao Feminicídio
A morte de Gisele Alves Santana ocorreu no dia 18 de fevereiro, no apartamento do casal localizado no bairro do Brás, região central da capital paulista. Inicialmente, a cena foi apresentada pelo tenente-coronel como um caso de suicídio. No entanto, o curso das investigações alterou drasticamente a linha policial após a perícia encontrar inconsistências graves.
A família de Gisele foi peça-chave ao relatar que a policial vivia um relacionamento extremamente abusivo, marcado por controle excessivo, ciúmes patológicos e violência psicológica por parte de Geraldo Neto.
As Provas que Incriminam o Oficial
A conclusão da Polícia Civil e da perícia técnica de que Gisele foi vítima de feminicídio baseia-se em evidências materiais robustas que apontam para a manipulação da cena do crime (fraude processual):
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Evidências Físicas: Foram encontradas marcas de unhas no pescoço e no rosto de Gisele, indicando luta corporal antes do disparo.
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Vestígios de Sangue: Manchas de sangue da vítima foram detectadas no banheiro e, crucialmente, na bermuda e na toalha utilizadas pelo tenente-coronel.
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Cena Manipulada: A posição da arma na mão da vítima e a disposição do corpo no chão não condiziam com a dinâmica de um suicídio, sugerindo que o cenário foi montado após o crime.
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Histórico de Violência: A extração de dados das mensagens do casal revelou um cotidiano de ameaças. Ao contrário do que Geraldo alegou, era Gisele quem tentava obter o divórcio, enquanto ele oferecia resistência violenta ao término.
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Prisão e Desdobramentos
Geraldo Leite Rosa Neto foi preso no dia 18 de março e segue à disposição da Justiça Militar e Comum. A defesa do oficial ainda não se manifestou publicamente sobre a publicação da aposentadoria. O caso segue sob forte acompanhamento de entidades de direitos humanos e movimentos de proteção à mulher, dado o alto escalão do envolvido na hierarquia da Polícia Militar.