Crime em Família: Homem que matou prima trans em Divinópolis tem histórico de violência e havia sido preso em janeiro

O assassinato de uma mulher trans de 43 anos, ocorrido na manhã da última segunda-feira (2) em Divinópolis, ganhou novos contornos nesta terça-feira (3). A Polícia Militar (PM) confirmou que o autor do crime, um homem de 34 anos e primo da vítima, é reincidente em crimes de violência e havia deixado a prisão há menos de dois meses.

Histórico de Violência e Reincidência

De acordo com o major César Henrique Bittencourt, o suspeito possui uma ficha criminal que aponta um comportamento agressivo recorrente. Em 14 de janeiro deste ano, ele foi preso por descumprimento de medida protetiva, além de já responder por processos de lesão corporal e vias de fato.

O mandado de prisão que pesava contra ele foi expedido pela Comarca de Abaeté, cidade para onde ele tentava fugir a pé no momento em que foi interceptado pela Patrulha de Prevenção a Homicídios, às margens da rodovia MG-050.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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A Versão do Autor vs. As Provas Técnicas

Em depoimento preliminar, o homem confessou o crime, mas tentou sustentar a tese de legítima defesa. Segundo o relato do suspeito:

  1. O atrito começou devido ao seu cachorro; ele não aceitava que a prima colocasse o animal para fora do apartamento.

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  2. Durante a discussão, a vítima teria se armado com uma faca para ameaçá-lo.

  3. Ele teria reagido disparando com uma pistola calibre 9mm.

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Foto: Polícia Militar/Divulgação

Entretanto, a Polícia Militar identificou elementos que fragilizam essa narrativa. "As câmeras da residência foram desligadas momentos antes do fato", destacou o major Bittencourt, durante coletiva de imprensa. O desligamento deliberado do sistema de monitoramento sugere premeditação e tentativa de ocultar a dinâmica real do assassinato, o que coloca a versão de "reação imediata" sob forte suspeição.

Arma Oculta em Área de Mata

Após a prisão na rodovia, o autor colaborou com os militares, levando-os até um ponto isolado em uma área de mata. Lá, a polícia encontrou a pistola calibre 9 milímetros utilizada no crime, que estava enterrada. O armamento foi apreendido e passará por perícia balística para confirmar a conexão direta com as perfurações encontradas no corpo da vítima.

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A Vítima: Um Mês em Divinópolis para Cuidar da Avó

A vítima, natural do Distrito Federal, estava em Minas Gerais há apenas 30 dias. Ela havia se mudado para o apartamento no centro de Divinópolis com o propósito de cuidar da avó idosa.

O crime ocorreu no interior do imóvel enquanto a avó estava em outro cômodo. Embora a idosa não tenha presenciado o momento dos disparos, testemunhas e vizinhos relataram que os desentendimentos entre os primos tornaram-se frequentes e escalonaram em agressividade nas últimas semanas.

Próximos Passos da Investigação

O caso agora segue para a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). As investigações focarão em:

  • Inconsistências no depoimento: Confrontar a alegação de uso de faca com a perícia de local.

  • Premeditação: Analisar os registros técnicos das câmeras para confirmar quem as desligou.

  • Motivação: Apurar se, além da briga pelo animal de estimação, houve componentes de transfobia ou disputa familiar.

O autor permanece preso e à disposição da Justiça.

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