Na manhã desta quarta-feira (4), a Polícia Federal (PF) deflagrou uma nova e incisiva fase da Operação Compliance Zero, culminando na prisão preventiva de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A ação, ocorrida em São Paulo, marca um capítulo decisivo nas investigações que apuram um dos maiores esquemas de corrupção financeira e previdenciária do país nos últimos anos.
A Decisão do STF e o Fator André Mendonça
A ordem de prisão foi expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça assumiu recentemente a relatoria do caso após as investigações apontarem o envolvimento de autoridades com foro privilegiado, incluindo parlamentares federais e membros do alto escalão do Judiciário e Executivo.
Diferente da detenção ocorrida em novembro de 2025 — quando Vorcaro foi detido no Aeroporto de Guarulhos e solto semanas depois —, esta nova medida fundamenta-se no risco de continuidade das práticas criminosas. Segundo a decisão, dados obtidos por meio de quebras de sigilo telemático indicaram que o grupo continuava operando para destruir provas e ocultar patrimônio, mesmo sob investigação.
O "Modus Operandi": Fraudes de R$ 12 Bilhões
A Polícia Federal estima que o rombo causado pelo esquema possa chegar a R$ 12 bilhões. O foco central da investigação recai sobre o uso do Banco Master (antigo Banco Máxima) como peça-chave em uma engrenagem de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.
Os pilares das acusações incluem:
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Saque aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS): O banco é acusado de gerir fundos de previdência municipais (com destaque para Macapá e prefeituras em Minas Gerais) através da compra de ativos com sobrepreço ou sem qualquer lastro real. O resultado é o esvaziamento das aposentadorias de milhares de servidores públicos.
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Conexão com o BRB: A PF investiga relações nebulosas entre o grupo de Vorcaro e o Banco Regional de Brasília (BRB), sugerindo uma rede de influência para facilitar operações financeiras atípicas.
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Contas de Passagem: O uso de estruturas bancárias complexas para "limpar" dinheiro de propinas destinadas a políticos e empresários.
Alvos em São Paulo e Minas Gerais
A operação de hoje não se limitou a Vorcaro. Foram cumpridos diversos mandados de busca, apreensão e prisão em endereços de luxo e sedes empresariais em São Paulo e Minas Gerais. Além disso, o Judiciário determinou o afastamento imediato de autoridades municipais suspeitas de facilitar a entrada do banco na gestão dos fundos previdenciários.
O Espectro da Delação Premiada
Nos bastidores do Judiciário, a tensão é alta. Movimentações jurídicas indicam que ex-executivos ligados ao Banco Master já estão em negociações avançadas para firmar acordos de colaboração premiada. Caso as delações sejam homologadas pelo STF, o conteúdo pode atingir diretamente a cúpula política de Brasília, detalhando como o capital injetado para o crescimento acelerado da instituição teria origem em atividades ilícitas.
Cronologia do Caso
| Data | Evento | Status |
| Nov/2025 | 1ª Prisão de Vorcaro em Guarulhos | Solto após semanas |
| Jan/2026 | Caso sobe para o STF | Relatoria: André Mendonça |
| Fev/2026 | Quebra de sigilo de "Lulinha" na CPMI | Conexão com o caso |
| 04/Mar/2026 | Nova Prisão Preventiva | Em andamento |