Brasil sob Holofotes: Transparência Internacional aponta Macrocorrupção e CGU rebate critério de Percepção

Relatório 2025 destaca infiltração do crime organizado no Estado e cita caso Banco Master; Governo Federal defende que aumento de investigações não significa mais corrupção, mas maior control

O Brasil encerrou 2025 com um diagnóstico complexo sobre a integridade de suas instituições. A Transparência Internacional divulgou os resultados do Índice de Percepção da Corrupção (IPC), onde o Brasil figura em um cenário de estagnação e desafios persistentes. Enquanto nações como Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88) e Cingapura (84) lideram o topo da honestidade global, o Brasil reflete as cicatrizes de sucessivos casos de macrocorrupção.

O Diagnóstico: Democracia vs. Impunidade

Para Bruno Brandão, diretor executivo da Transparência Internacional no Brasil, o país vive uma dualidade perigosa. Se por um lado houve uma resposta firme do Judiciário contra atentados à democracia, por outro, o mundo assistiu a escândalos financeiros e episódios de impunidade que fragilizam a imagem nacional.

O relatório Retrospectiva 2025 aponta três grandes frentes de preocupação:

  1. Infiltração do Crime Organizado: Avanço sobre o sistema financeiro e setores da advocacia.

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  2. Desvios de Emendas: Irregularidades na distribuição de recursos parlamentares.

  3. Fraude Bancária: O caso do Banco Master é citado como a maior fraude bancária já registrada no país.


Recomendações e Cobranças aos Poderes

A entidade apresentou uma lista de ações urgentes para retomar a agenda de integridade no Brasil:

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Órgão Recomendação Principal
Governo Federal Investigar desvios na CODEVASF e DNOCS; transparência em agências regulatórias.
Congresso Instalar a CPMI do Banco Master e auditar conflitos de interesse no Judiciário.
Ministério Público Investigar contratos do resort Tayayá e garantir cumprimento do teto salarial.
Judiciário Criar um Código de Conduta para o STF e redistribuir o caso Master por sorteio.

O Contraponto: A Resposta da CGU

Em nota oficial, a Controladoria-Geral da União (CGU) contestou a metodologia do IPC. O órgão argumenta que o índice mede apenas a "percepção" de especialistas e executivos, muitas vezes residentes fora do país, e não a ocorrência real de atos ilícitos.

Os argumentos da CGU:

  • O "Paradoxo da Investigação": Países que investigam mais e dão mais transparência aos problemas tendem a ser "pior avaliados" em índices de percepção, pois os escândalos tornam-se visíveis.

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  • Caso INSS: O governo destaca que identificou o esquema de fraudes, realizou prisões e já recuperou quase R$ 3 bilhões para os aposentados.

  • Resultados Concretos: Em 2025, o governo realizou 76 operações especiais (alta de 46%), identificando R$ 13,6 bilhões em prejuízos potenciais.

"O aumento da transparência e das investigações não significa mais corrupção, mas uma maior capacidade do Estado de enfrentá-la", afirma a nota da CGU.

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Conflito Institucional no Caso Master

O documento da Transparência Internacional é particularmente enfático sobre o Banco Master, sugerindo que o atual relator no STF deveria ser substituído por sorteio para evitar conflitos de interesse. A CGU, por sua vez, foca nos benefícios financeiros gerados pelas auditorias, que somaram R$ 40,6 bilhões aos cofres públicos em 2025.

O cenário desenhado para 2026 é de vigilância extrema: de um lado, a pressão internacional por reformas estruturais no Judiciário e Legislativo; de outro, o Poder Executivo tentando provar que a visibilidade dos escândalos é prova de que o sistema de controle está funcionando.

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