A comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal (MA), vive dias de profunda incerteza. Nesta quarta-feira (4), completou-se exatamente um mês desde o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos). O caso, que mobiliza uma das maiores forças-tarefa já vistas no interior do Maranhão, segue sem respostas definitivas, apesar do uso de tecnologia de ponta e reforço militar.
Uma Brincadeira que Terminou em Mistério
O episódio teve início quando os irmãos saíram para brincar com o primo, Anderson Kauan, de 8 anos, em uma área de mata densa característica da região. Enquanto Anderson foi localizado com vida no dia 7 de janeiro, em uma estrada da comunidade Santa Rosa dos Pretos — a cerca de 7 km de distância de casa —, Ágatha e Allan não foram mais vistos.
O delegado Ederson Martins, responsável pelo caso, confirmou a localização de vestígios como pegadas e fezes na mata, mas ressaltou a dificuldade técnica de perícia: como as três crianças estiveram juntas inicialmente, é complexo atribuir os rastros especificamente aos irmãos desaparecidos.
Estratégia de Guerra: 45 Quadrantes e Monitoramento Térmico
O Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, Coronel Célio Roberto, detalhou a operação minuciosa que divide a vasta área rural em 45 quadrantes. Cada setor é varrido por equipes por terra, ar e água.
Tecnologia empregada nas buscas:
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Drones com Câmeras Térmicas: Utilizados principalmente durante a noite para detectar assinaturas de calor. Segundo o comandante, o equipamento é sensível o suficiente para identificar pequenos animais, mas ainda não localizou as crianças.
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Sonar da Marinha: No Rio Mearim, a Marinha do Brasil realizou uma varredura subaquática em um perímetro de 19 km, identificando 11 pontos de interesse que foram posteriormente checados por mergulhadores, sem sucesso.
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Cães Farejadores: Os animais marcaram pontos específicos, incluindo a "Casa Caída" — um imóvel às margens do Rio Merim, a 3,5 km da comunidade, considerado o último ponto de presença confirmado dos irmãos.
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Força-Tarefa e Protocolo Internacional
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que o efetivo foi reforçado, contando agora com mais de 260 agentes de segurança e o apoio impressionante de mais de mil voluntários da região. Além das buscas físicas, o Estado ativou o Amber Alert, um protocolo internacional operado em parceria com a Meta (Facebook e Instagram) para disseminar fotos das crianças em um raio de alcance estratégico.
Instituições envolvidas:
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Corpo de Bombeiros e Polícia Civil/Militar;
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Centro Tático Aéreo (CTA) e Força Estadual;
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Exército Brasileiro e Marinha do Brasil.
Investigação sob Sigilo
O delegado Ederson Martins optou por manter sigilo sobre os locais onde as crianças teriam passado após a "Casa Caída". Segundo ele, a retenção de certas informações é estratégica para preservar a integridade das investigações e evitar pistas falsas ou interferências externas que possam prejudicar o resgate.
O inquérito policial segue aberto e todas as hipóteses — desde que as crianças ainda estejam perdidas na mata até possíveis intervenções de terceiros — estão sendo rigorosamente analisadas.

Como Ajudar
As autoridades reforçam que qualquer informação, por menor que pareça, pode ser vital para o desfecho do caso.
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Disque-Denúncia Maranhão: Número 181.
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Canais Oficiais: As redes sociais da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros do Maranhão seguem recebendo informes.