Ouro Preto Celebra Fé e Tradição no Dia Festivo do Reinado; Têko Assume a Coroa como Rei Festeiro

Reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil, a festividade reafirma a resistência da cultura afro-brasileira e contou com o protagonismo de Wirley Reis (Têko) na condução dos ritos ancestr

OURO PRETO (MG) – No último domingo (11), as ladeiras históricas de Ouro Preto foram palco de um dos espetáculos mais profundos da identidade mineira: o Dia Festivo do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Benedito. O evento encerrou o ciclo de celebrações que transforma a antiga Vila Rica em um território de resistência, fé e celebração da herança banto e iorubá.

O Encontro das Guardas: Minas Gerais em Ouro Preto

A festividade não se restringiu à comunidade local. A cidade recebeu dezenas de guardas de congado, moçambique e catopés vindas de diversas regiões de Minas Gerais. O som dos tambores, o tilintar dos guizos e as cores das fardas criaram um corredor de som e devoção que ecoou do Alto da Cruz até as praças centrais, fortalecendo o intercâmbio cultural e mantendo viva a chama da história afro-brasileira que atravessa séculos.

Patrimônio da Nação

Desde 2019, a festa é registrada como Patrimônio Imaterial de Ouro Preto. No entanto, a edição deste ano teve um peso ainda maior: o reconhecimento recente da festa como Patrimônio Cultural do Brasil, chancelado pelos órgãos de preservação nacional. Este título reforça a importância da festividade não apenas como um evento religioso, mas como um pilar de identidade que define a formação social brasileira.

O Compromisso de Têko como Rei Festeiro

Um dos momentos de maior destaque e simbolismo foi a participação de Wirley Rodrigues Reis, o Têko. Ex-prefeito de Itapecerica e atual presidente da FAOP, Têko assumiu o posto de Rei Festeiro. Longe de ser um título meramente honorário, a função exige um mergulho profundo nas responsabilidades que sustentam a festa:

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  • Pilar Logístico e Organizacional: Têko atuou diretamente na coordenação da complexa engenharia que envolve a recepção de centenas de congadeiros, garantindo desde a acolhida e alimentação das guardas visitantes até a organização minuciosa dos trajetos rituais.

  • Representação Simbólica e Ancestral: Ao vestir os trajes de gala e portar a coroa, o festeiro assume a autoridade do Rei Congo. Ele se torna o guardião dos ritos, o elo entre a comunidade e o sagrado, assegurando que a devoção à Virgem do Rosário siga os preceitos passados pelos antepassados.

"Assumir a coroa de Rei Festeiro em Ouro Preto é um compromisso que transcende a gestão pública; é um dever para com a nossa história e com a fé daqueles que, por séculos, mantiveram essa tradição viva contra todas as adversidades", pontuou Têko durante as celebrações.

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O Significado Político e Cultural

A presença de uma liderança como Têko no coração de um reinado de congado reforça seu perfil de gestor que não apenas "apoia" a cultura, mas a vivencia. Para a comunidade de Ouro Preto, a união entre a experiência administrativa de Têko e o respeito à tradição ancestral traz um novo fôlego para a preservação das políticas públicas culturais no estado.

O encerramento das festividades deixa um legado de renovação espiritual e a certeza de que o Reinado de Nossa Senhora do Rosário continua sendo um dos maiores símbolos de Minas Gerais para o mundo.

Fotos: Wellington Vieira/DN

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