A partir desta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, o novo salário mínimo nacional de R$ 1.621 passa a ser o valor de referência para pagamentos em todo o país. O reajuste, que representa um acréscimo de R$ 103 em relação ao piso anterior (R$ 1.518), foi oficializado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento após a consolidação dos indicadores econômicos do último ano.
O aumento não impacta apenas quem recebe o piso nacional, mas serve de base para o cálculo de aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, abono salarial (PIS/Pasep) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O Cálculo: Inflação e Ganho Real
O novo valor de R$ 1.621 foi definido com base na Política de Valorização do Salário Mínimo, que busca garantir que o trabalhador não perca o poder de compra e tenha um ganho real acima da inflação. O cálculo foi composto por dois pilares principais:
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A Inflação (INPC): O Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulado em 12 meses até novembro registrou 4,18%. Esse componente garante a reposição do poder de compra perdido no último ano.
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O Crescimento do PIB: Pela regra, soma-se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás. Em 2024, a economia brasileira expandiu 3,4%, conforme dados revisados pelo IBGE.
A Trava do Arcabouço Fiscal
Embora a soma do INPC com o PIB de 2024 pudesse sugerir um valor ligeiramente diferente, o governo aplicou as regras do Arcabouço Fiscal. Esse mecanismo limita o crescimento real das despesas públicas (acima da inflação) a um intervalo entre 0,6% e 2,5%.
Dessa forma, o cálculo final resultou em R$ 1.620,99 que, seguindo o padrão de arredondamento previsto em lei, foi fixado em R$ 1.621.
Impacto na Economia e no Consumo
De acordo com projeções do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a circulação desse novo montante terá um efeito multiplicador. Estima-se que:
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R$ 81,7 bilhões sejam injetados na economia ao longo do ano.
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Haja um aumento significativo no consumo das famílias, especialmente em itens básicos.
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Ocorra um incremento na arrecadação tributária via consumo, ajudando a equilibrar as contas públicas.
O que muda para o trabalhador e o aposentado?
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PIS/Pasep: O valor máximo do abono salarial em 2026 passa a ser de R$ 1.621.
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Aposentadorias e Pensões: O teto do INSS também deve sofrer reajuste proporcional, e nenhum beneficiário poderá receber menos que o novo piso de R$ 1.621.
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Seguro-Desemprego: A parcela mínima do benefício passa a ser o novo valor do mínimo.
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Contribuição MEI: O valor mensal pago pelos Microempreendedores Individuais (MEI) também será atualizado, já que o cálculo é baseado em um percentual do salário mínimo.
Tabela de Evolução Recente
| Ano | Valor do Salário Mínimo | Reajuste |
| 2024 | R$ 1.412 | - |
| 2025 | R$ 1.518 | 7,5% |
| 2026 | R$ 1.621 | 6,79% |