A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quinta-feira (15), durante sabatina ao Jornal Nacional, da TV Globo, que desconhecia o fato de que o Bolsa Família não havia sofrido nenhum reajuste inflacionário ao longo de todo o seu terceiro mandato.
Diante do questionamento, o chefe do Executivo anunciou um reajuste de 15,1% no valor do benefício, elevando a parcela média de R$ 600 para R$ 691. A mudança visa recompor as perdas inflacionárias acumuladas no período.
"É inexplicável que no governo do Lula aconteça isso", diz o presidente
Durante a entrevista, o presidente descreveu sua reação ao tomar conhecimento do congelamento do programa social, afirmando ter confrontado a equipe econômica e os ministros de sua gestão.
“Eu não sabia [que não havia tido reajuste], porque é inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas. É impensável, mas aconteceu. Aconteceu e eu tomei a decisão de a gente dar e dar tudo que a gente não deu para a gente aprender a nunca mais [deixar de reajustar]”, afirmou Lula.
O presidente completou dizendo que a cobrança aos auxiliares foi severa:
“Eu não quero que você ouça a reunião que eu tive com meus ministros quando eu fiquei sabendo que o Bolsa Família não tinha sido reajustado. O que aconteceu foi que eu fui perguntar ‘por que não aumentaram o Bolsa Família, se tem espaço fiscal para aumentar?’. Aí tomei a decisão de mandar aumentar”, relatou.
Contradição orçamentária: Proposta enviada ao Congresso não previa reajuste
Apesar da declaração do presidente de que haveria espaço fiscal para o aumento, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado pelo próprio Governo Federal ao Congresso Nacional mantinha o valor congelado em R$ 600 por família.
Até então, o Ministério do Planejamento e o Ministério da Fazenda alegavam limitações no arcabouço fiscal para congelar o valor nominal do benefício. O anúncio do reajuste exigirá uma reformulação das fontes de custeio dentro da proposta orçamentária em tramitação no Parlamento.
Histórico de reajustes em anos eleitorais
Este é o único reajuste concedido ao programa de transferência de renda no atual mandato de Lula. O valor fixado em R$ 600 vigorava desde 2022, quando foi implementado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), que elevou o benefício (à época chamado Auxílio Brasil) de R$ 400 para R$ 600 a cerca de 100 dias da eleição presidencial daquele ano.
O novo valor de R$ 691 anunciado por Lula deve passar a vigorar nas próximas folhas de pagamento, impactando diretamente milhões de famílias beneficiárias em todo o país no momento decisivo da campanha eleitoral.