Em entrevista à Jovem Pan, Soninha Francine analisa fim da escala 6x1 e alerta para impactos no pequeno comércio

Ex-vereadora e secretária ressaltou que a transição trará custos ao setor produtivo e exigirá reorganização do pequeno empresário para manter negócios abertos.

São Paulo — Em participação no programa Jornal da Manhã, da Jovem Pan, a ex-vereadora e ex-secretária municipal de São Paulo Soninha Francine abordou a recente aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal. Durante a sabatina, Soninha analisou os desdobramentos econômicos e operacionais da medida, projetando que as mudanças inevitavelmente afetarão os custos das empresas, com reflexos diretos no comércio de bairro e nas pequenas empresas.

Com a consolidação da proposta que amplia os dias de descanso semanal remunerado de um para dois dias, Soninha avaliou que a mudança na legislação trabalhista impõe um desafio imediato de sustentabilidade financeira para o setor privado.

"Não tem como não ter impacto na economia", afirma Soninha

 

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Durante a entrevista, Soninha Francine ponderou que, embora a redução da jornada traga ganhos perceptíveis de qualidade de vida para a classe trabalhadora, a transição envolve custos contratuais e operacionais que não podem ser ignorados pelo debate público.

“Não tem como não ter impacto na economia. Quando você reduz a jornada mantendo os salários, o custo da hora trabalhada aumenta. Para cobrir os turnos e manter estabelecimentos abertos nos fins de semana, o comércio precisará contratar mais ou reorganizar equipes”, avaliou.

A ex-secretária ressaltou que, se de um lado há um ganho social para os empregados, do outro há uma elevação direta nos custos das folha de pagamento, o que tende a pressionar os preços de produtos e serviços ao consumidor final.

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Desafio concentrado nos pequenos empresários

Um dos pontos centrais destacados por Soninha foi a disparidade de capacidade financeira entre grandes corporações e pequenos empreendimentos para absorver a nova regra. Segundo ela, os micro e pequenos empresários — que respondem pela maior fatia dos empregos formais no país — serão os mais pressionados.

“O pequeno empresário vai ter que fazer escolhas. Ele não tem a margem de lucro de uma grande rede de varejo ou indústria. Para se adequar, muitos terão que escolher entre encurtar o horário de funcionamento, repassar o custo para os preços ou, no limite, reduzir o quadro de funcionários”, pontuou.

Ela alertou ainda para o risco de aumento do trabalho informal ou de contratações sob regimes flexíveis caso o processo de adaptação não venha acompanhado de incentivos ou desonerações específicas para os pequenos negócios.

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O debate sobre a transição no setor de comércio e serviços

O setor de comércio e serviços — um dos que mais empregam no modelo de seis dias de trabalho por um de folga — é apontado por especialistas como o segmento que passará pelas transformações mais profundas com o novo teto de jornada semanal.

Soninha Francine concluiu enfatizando a necessidade de acompanhamento atento por parte dos órgãos governamentais e entidades representativas durante as fases de transição da nova lei, buscando proteger a atividade econômica sem retroceder nos direitos conquistados pelos trabalhadores.

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