Brasília — Um novo áudio divulgado pela revista VEJA nesta quinta-feira (15) acrescenta um capítulo dramático e inquietante aos desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master. Na gravação, Natália Vorcaro Zettel, irmã do empresário e banqueiro Daniel Vorcaro, relata o estado de pavor em que o irmão se encontra enquanto permanece custodiado no Centro de Detenção Provisória (CDP), conhecido como "Papudinha", em Brasília, e expressa o receio permanente de que ele seja transferido de volta a uma penitenciária federal de segurança máxima.
De acordo com o depoimento de Natália, Vorcaro estaria em estado de "pânico" após ter passado treze dias em uma unidade federal sob condições extremas. A irmã afirma que o banqueiro teria sido submetido a episódios de tortura psicológica e física, permanecendo isolado sem acesso adequado a água e alimentação, sem contato externo e sob iluminação artificial ininterrupta por 24 horas diárias. As acusações são de extrema gravidade e lançam cobranças públicas por esclarecimentos por parte do sistema penal e das autoridades competentes.
Vazamento de áudios e menções a pagamentos milionários
Ainda no áudio divulgado, Natália menciona que o irmão ficou profundamente abalado após a repercussão do vazamento de gravações anteriores nas quais ele cita interlocutores do meio político em supostas negociações ilícitas. Entre as alegações feitas por Vorcaro, destacam-se a promessa de repasse de R$ 30 milhões para o custeio de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do direcionamento de verbas ao Instituto Lula.
Ao tentar acalmar o irmão diante da pressão e do desespero, Natália teria disparado a seguinte frase reproduzida na gravação:
“Você não falou nada mais do que a verdade.”
Diante do cenário de incertezas e do temor por novas represálias, a família relata que Vorcaro estaria avaliando adiar a apresentação de novos fatos e revelações até a conclusão do processo eleitoral.
Impasse na PGR e a busca pela colaboração premiada
Atualmente, Daniel Vorcaro articula com seus advogados a apresentação de uma terceira proposta de acordo de colaboração premiada. As duas tentativas anteriores foram sumariamente rejeitadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em nota e manifestações anteriores, a gestão do procurador-geral Paulo Gonet afirma que a rejeição ocorreu porque o investigado não apresentou depoimentos formais nem documentos que comprovem de forma conclusiva os alegados pagamentos de propina ou o envolvimento de autoridades com foro privilegiado. Até o momento, as acusações do empresário carecem de comprovação material validada e seguem contestadas pelos citados.
A conduta das instituições, contudo, levanta questionamentos no meio jurídico. Embora a PGR tenha a prerrogativa legal de recusar propostas de delação que considere inconsistentes, analistas apontam a necessidade de critérios transparentes ao avaliar denúncias que envolvem figuras de alto escalão do poder público.
Depoimento à PF expõe contradição institucional
Ainda nesta quinta-feira, Vorcaro prestou depoimento por cerca de três horas à Polícia Federal no âmbito das investigações que apuram transações financeiras suspeitas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
A oitiva evidencia um contraste que vem sendo criticado por observadores do caso: quando os questionamentos se concentram estritamente nas operações financeiras e bancárias das quais Vorcaro é acusado, o empresário é prontamente ouvido e instado a prestar esclarecimentos. Por outro lado, quando o investigado se dispõe a detalhar esquemas de corrupção e repasses ilícitos envolvendo membros da alta cúpula da República, suas investidas para fechar um acordo de delação encontram barreiras institucionais na PGR.
O medo manifestado pela família do investigado ganha densidade em um momento em que a atuação do Ministério Público e dos órgãos de persecução penal passa por intenso escrutínio público, cobrando-se apuração rigorosa tanto das condutas do banqueiro quanto das denúncias trazidas por ele.