Caso Banco Master: Mensagens apreendidas pela PF revelam que advogado apontava apoio de Lula e do PT a Daniel Vorcaro

Relatório da Polícia Federal com base em gravações de celular indica articulação do ex-controlador da instituição para selar venda ao BRB; Planalto nega ingerência e defesas ressaltam ausênci

Brasília — Áudios e trocas de mensagens armazenados no telefone celular do empresário e ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e apreendidos pela Polícia Federal (PF), revelam que seu então advogado, o jurista Walfrido Warde, afirmou explicitamente que o banqueiro contava com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT). As informações foram reveladas em reportagem investigativa publicada pela revista Veja.

Os diálogos ocorreram durante as intensas negociações políticas e regulatórias travadas para viabilizar a transferência de 58% do controle acionário do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB) — uma tentativa de socorro financeiro para evitar a derrocada e a insolvência da instituição privada.

Os detalhes dos áudios e das mensagens apreendidas

 

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As análises periciais no dispositivo móvel de Vorcaro resgataram registros de conversas mantidas entre 2023 e 2025 que evidenciam o uso ostensivo de nomes do primeiro escalão da República durante as tratativas comerciais:

Item / Período Descrição dos Fatos Revelados pela Perícia da PF
Áudio de Março de 2025 Gravado logo após o anúncio da operação com o BRB, o advogado Walfrido Warde alertou Vorcaro sobre matérias jornalísticas na imprensa (citando a TV Globo) que visavam enfraquecer o respaldo político da operação: “Eles querem tirar o apoio do presidente. Já entenderam que o teu apoio vem do presidente”.
Citações a Lula O nome do presidente Lula aparece citado em pelo menos 20 mensagens trocadas pelo advogado entre 2023 e 2025, detalhando bastidores de agendas, contatos institucionais e recados do meio político.
Intermediação com o PT Em agosto de 2025, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, questionou o banqueiro se Lula endossava formalmente a operação. Vorcaro orientou que a resposta tramitasse via "Edinho" (em referência a Edinho Silva, presidente nacional do PT), destacando ser “melhor via ele e não expor o presidente”.
"Vamos para a guerra" Em julho de 2025, ao enfrentar travas regulatórias, Vorcaro solicitou ao defensor: “Avise o presidente amanhã e vamos para a guerra”. Em um grupo de mensagens intitulado “Amigos”, o assessor pessoal do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro ("Marcola"), confirmou o repasse do recado ao chefe do Executivo.

O colapso da operação e a liquidação pelo Banco Central

Apesar do trânsito alegado nas conversas e do envolvimento de figuras de projeção política e econômica — como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, contratado como consultor do Banco Master —, a tentativa de salvamento fracassou.

O Banco Central do Brasil não concedeu as autorizações regulatórias e de compliance necessárias para validar o negócio com o BRB. Diante do agravamento do quadro patrimonial da instituição, a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, desdobramento que culminou na prisão de Daniel Vorcaro e na abertura de frentes de investigação criminal.

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Contraponto dos citados e posição oficial

A reportagem ressalta que as análises de conjuntura e as colocações feitas pelo advogado ao seu cliente durante a prestação de serviços de defesa não configuram, por si sós, atos ilícitos por parte dos defensores nem comprovação de crime automático por parte dos agentes públicos citados nas conversas.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto negou veementemente qualquer interferência direta do presidente Lula na operação do Banco Master ou a ocorrência de reuniões com essa finalidade, reforçando que as decisões do Banco Central e dos órgãos de fiscalização financeira pautaram-se por critérios estritamente técnicos e independentes.

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