O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra a TV Globo durante um ato de campanha realizado nesta sexta-feira (16). O chefe do Executivo criticou abertamente um almoço realizado entre executivos e integrantes da cúpula do Grupo Globo com o senador e candidato adversário Flávio Bolsonaro (PL-RJ), horas antes de o parlamentar ser entrevistado pela emissora.
A sabatina de Flávio Bolsonaro foi conduzida pela jornalista Renata Lo Prete nesta sexta-feira. Lula, por sua vez, havia sido sabatinado na noite anterior, quinta-feira (15). A TV Globo informou que a ordem das entrevistas com os postulantes ao Palácio do Planalto foi definida previamente por meio de sorteio acompanhado pelos representantes de todas as candidaturas.
"A partir de hoje, a Globo está sob suspeição", dispara o presidente
Diante de uma plateia de apoiadores, o candidato petista colocou em xeque a neutralidade da cobertura jornalística da emissora e declarou que o canal teria adotado uma postura hostil em relação ao seu governo.
“A partir de hoje, a Globo está sob suspeição da minha candidatura. Não merece confiança”, declarou Lula.
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Segundo o presidente, a emissora estaria "com raiva" de sua gestão devido a uma série de medidas e posicionamentos recentes do Governo Federal. Entre os pontos citados por Lula para justificar o suposto descontentamento do conglomerado de mídia, estão:
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A ofensiva do governo para regulamentar e derrubar plataformas de apostas esportivas (bets);
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A aprovação da PEC que extingue a escala de trabalho 6×1 no Congresso Nacional;
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A proposta de implementação do transporte público gratuito aos fins de semana em grandes centros urbanos;
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As investigações policiais que culminaram na prisão do empresário e banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Discurso de polarização e lista de opositores
Em tom de mobilização para a reta final do primeiro turno, Lula convocou sua militância para enfrentar o que definiu como uma aliança entre forças políticas de extrema-direita, conglomerados econômicos e lideranças internacionais.
Durante o discurso, o petista elencou seus opositores e alegou que seus adversários contam com apoio externo e de setores financeiros:
“Nós teremos que enfrentar a bandeira norte-americana, os presidentes da Argentina [Javier Milei] e dos Estados Unidos [Donald Trump], o Vorcaro, a extrema-direita e o 'Careca do INSS'”, afirmou o presidente, em referência ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, investigado em esquemas de fraude.
O candidato concluiu a fala buscando contrastar as alianças do campo adversário com a sua base de sustentação eleitoral:
“Do meu lado, tenho o povo brasileiro. Nós vamos votar e vamos derrotar”, finalizou.
A declaração amplia a tensão entre a campanha do PT e a imprensa na véspera da votação, marcando um endurecimento na retórica política da candidatura governista.