Com 32% de Etanol, Nova Gasolina Gera Críticas por Aumento do Consumo e Risco a Motores

Mudança aprovada pelo CNPE elevou o teor de etanol anidro na mistura para 32%. Setor automotivo alerta para queda no rendimento, riscos de corrosão em carros antigos e falta de estudos de dur

A recente alteração na composição da gasolina comum vendida nos postos brasileiros abriu uma forte controvérsia entre o governo federal, especialistas da indústria automotiva e consumidores. A elevação do teor de etanol anidro na mistura de 30% para 32% (conhecida tecnicamente como E32), em vigor desde este mês de agosto de 2026, vem gerando forte reação no mercado.

A medida foi aprovada em caráter temporário pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sob a justificativa de equilibrar a oferta e demanda de combustíveis e incentivar a transição energética sustentável. Contudo, a decisão de ultrapassar a barreira dos 30% acendeu o sinal de alerta no setor automotivo e nas oficinas mecânicas de todo o país.

 

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Os 4 principais pontos de insatisfação da medida

Ponto Crítico Impacto Prático no Veículo
Aumento do Consumo Menor densidade energética do etanol exige mais combustível para a mesma potência, reduzindo a autonomia do veículo por litro.
Danos a Veículos Não-Flex Veículos importados e antigos projetados apenas para gasolina sofrem com corrosão acelerada em mangueiras, bombas e injetores.
Ausência de Testes Longos Entidades como a Anfavea e a FBVA apontam que não houve validação técnica de longa duração na frota nacional.
Ação e Impasse Judicial O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça para pedir a suspensão imediata da medida e realização de perícia técnica.

Entenda o impacto no motor e no bolso do motorista

1. Perda de autonomia e aumento no custo por quilômetro

O etanol possui um poder calorífico inferior ao da gasolina pura (cerca de 30% menor). Na prática, quanto maior a proporção do álcool na mistura, mais combustível a injeção eletrônica precisa pulverizar para manter o desempenho do motor. Motoristas relatam que a autonomia dos veículos caiu, o que acaba anulando qualquer eventual economia no preço por litro na bomba.

2. Riscos severos para carros importados, antigos e motores monocombustível

Embora a frota de veículos flex fuel suporte variações na mistura, o cenário é crítico para modelos a gasolina pura — incluindo veículos importados, carros clássicos ou antigos e motocicletas de menor cilindrada.

O etanol é higroscópico (absorve água do ar) e possui alta capacidade de oxidação. Em contato com componentes mecânicos não preparados, a mistura E32 pode causar:

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  • Corrosão em peças metálicas: oxidação do tanque, galerias da injeção e bomba de combustível;

  • Ressecamento de borrachas: deterioração precoce de mangueiras, retentores e vedações de plástico e borracha;

  • Entupimento de bicos injetores: formação de resíduos resultantes da reação química do álcool com partes metálicas.

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3. Entidades denunciam falta de testes de durabilidade

A adoção do E32 sem a realização de testes prolongados de rodagem foi o principal estopim para a reação das associações do setor. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores) e a FBVA (Federação Brasileira de Veículos Antigos) manifestaram preocupação conjunta.

Segundo as entidades, a frota circulante no Brasil é heterogênea e muitos veículos em circulação não possuem componentes homologados para suportar misturas acima de 27,5% ou 30% sem apresentar desgaste prematuro.

Impasse na Justiça: MPF pede suspensão da E32

Diante da onda de queixas e do alerta emitido pelos técnicos, o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação na Justiça solicitando a suspensão imediata da elevação para 32%. O MPF argumenta que a medida foi implementada sem garantias técnicas suficientes de que não causará prejuízos financeiros aos consumidores decorrentes do desgaste de peças ou do aumento de consumo.

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O órgão ministerial também requer a realização de uma perícia independente para avaliar a integridade dos motores expostos ao novo combustível a médio e longo prazo.

Enquanto a disputa judicial prossegue, a recomendação de especialistas e mecânicos para proprietários de veículos antigos ou movidos exclusivamente a gasolina é optar, quando possível, por combustíveis de formulação premium ou aditivada com proteção anticorrosiva, além de redobrar a atenção às revisões do sistema de alimentação do motor.

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