MPMG denuncia diarista por latrocínio duplo e adulteração de cena de crime após morte de casal de idosos no bairro São Pedro, em BH

BELO HORIZONTE — O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 12ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte, ofereceu denúncia criminal nesta quarta-feira (29) contra a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos. Ela é acusada pelo duplo latrocínio — roubo seguido de morte — de um casal de idosos ocorrido no dia 29 de junho de 2026, no bairro São Pedro, Zona Sul da capital mineira.

A denúncia aponta que a mulher utilizou sedativos, arma branca e adulterou a cena do crime para tentar encobrir os homicídios e facilitar a subtração de pertences e cartões das vítimas.

Premeditação, sedação e assassinato a facadas

Conforme detalhado pelas investigações e pelo MPMG, Paola prestava serviços domésticos na residência do casal. No dia dos fatos, durante o período da tarde, a acusada teria colocado medicamentos sedativos nas bebidas dos idosos com o intuito de incapacitá-los e realizar o furto de bens de valor no apartamento sem sofrer resistência.

Enquanto recolhia os objetos do imóvel, uma das vítimas despertou do efeito do remédio e surpreendeu a trabalhadora. Para assegurar a impunidade e garantir a execução do roubo, a denúncia aponta que a diarista atacou o casal de idosos com dezenas de golpes de faca, provocando a morte de ambos.

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Antes de deixar o local, a acusada adotou procedimentos para alterar o cenário do crime, limpando superfícies e manipulando a disposição do apartamento para dificultar a pericialização e a coleta de vestígios pela Polícia Civil.

Uso de cartões, cumplicidade e tentativa de fuga

Após o crime, a investigada deslocou-se para a região Central de Belo Horizonte para comercializar os itens roubados e realizar saques e transações financeiras. Para viabilizar a fraude com os cartões bancários das vítimas, ela contou com a cooperação do proprietário de um restaurante do Centro, que cedeu as máquinas de cartão do seu estabelecimento comercial para passar os valores, dividindo os ganhos proporcionalmente com a acusada.

"Pelo o que foi apurado, tratou-se de um crime premeditado, tanto pela preparação anterior quanto pelas medidas adotadas após o crime, com a adulteração da cena do crime e a venda dos itens roubados", destacou o promotor de Justiça Mauro Fonseca Ellovitch.

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A Polícia Civil de Minas Gerais apurou ainda que a denunciada planejava fugir para outro estado. Contudo, a equipe investigativa conseguiu identificar sua localização e efetuar a prisão antes que ela deixasse o território mineiro.

Crimes imputados e desmembramento do processo

A 12ª Promotoria de Justiça denunciou Paola Stefany pelos seguintes crimes:

  • Latrocínio (Art. 157, § 3º, II do Código Penal): por duas vezes, agravado pelo uso de meio cruel, emprego de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e por ter sido praticado contra pessoas idosas;

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  • Fraude processual/Adulteração de provas (Art. 347 do Código Penal): por ter manipulado a cena do crime para enganar a perícia técnica;

  • Uso fraudulento de cartões bancários: referente às transações efetuadas após o delito.

O empresário dono do restaurante responderá pelo crime de furto mediante fraude.

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Outros investigados

O MPMG informou também que apura a conduta de outras três pessoas suspeitas de terem adquirido bens roubados da residência das vítimas. Como não há indícios de envolvimento direto no latrocínio e por não apresentarem histórico de reincidência, o MPMG requereu o desmembramento do processo em relação a esses suspeitos, avaliando o oferecimento de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).

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