RIO DE JANEIRO – A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a 6ª fase da Operação Unha e Carne, um dos maiores desdobramentos investigativos contra a corrupção e o crime organizado no estado do Rio de Janeiro. A ação resultou na prisão em flagrante de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, pré-candidato ao Senado e atual presidente do diretório estadual do União Brasil no Rio.
Canella era alvo de um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça. No entanto, durante as buscas, os agentes federais localizaram um fuzil calibre .556 em situação totalmente irregular no interior de um veículo de propriedade do político. Diante do flagrante, foi dada voz de prisão por porte e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Outro nome de peso da política e da segurança fluminense atingido pela ofensiva foi o de Marcus Amim, ex-secretário de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, que também foi alvo de buscas.
Estrutura movimentou R$ 7,6 bilhões e usava rede de combustíveis
A operação desta terça-feira mobilizou um forte aparato policial para cumprir 19 mandados de busca e apreensão em endereços estratégicos na capital fluminense e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores dos envolvidos e a suspensão imediata das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo.
As investigações ganharam robustez após um relatório detalhado do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelar números astronômicos: a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Segundo a PF, a estrutura utilizava empresas do setor de combustíveis — como redes de postos e distribuidoras — como plataforma para a lavagem de dinheiro em larga escala. O esquema contava com a conivência e a participação ativa de agentes públicos para blindar os negócios ilícitos. A depender do avanço do inquérito, os investigados poderão responder por:
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Organização criminosa;
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Contratação direta ilegal (fraude em licitações);
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Lavagem de dinheiro;
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Corrupção ativa e passiva.
O histórico da Operação Unha e Carne: Do tráfico à contravenção
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025 com um foco bem definido: estancar o vazamento de informações sigilosas de operações policiais que beneficiavam a cúpula da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Contudo, o material apreendido nas primeiras etapas revelou uma teia muito mais complexa e perigosa.
A PF descobriu uma verdadeira rede de proteção ao crime organizado incrustada nos poderes estaduais, unindo agentes públicos, parlamentares, integrantes do Poder Judiciário e operadores financeiros do mercado paralelo.
Linha do tempo das fases anteriores:
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Fases Iniciais: Tiveram como alvos o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, investigado pelo vazamento das decisões sigilosas, e o deputado estadual Thiago Rangel, que acabou preso sob a acusação de liderar fraudes contratuais na Secretaria Estadual de Educação do Rio.
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5ª Fase (Semana Passada): O foco se estendeu para a Máfia do Cigarro e o Jogo do Bicho. A PF prendeu o pastor Márcio Poncio e a Justiça decretou a prisão do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o "Adilsinho" (um dos barões do jogo do bicho no estado), além do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já se encontrava custodiado. Esta etapa apura o pagamento de propinas e vantagens indevidas a autoridades em troca de proteção política.
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Com as novas prisões e o cerco fechando sobre a presidência de um dos maiores partidos do estado, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) buscam agora cruzar os dados dos bilhões movimentados no setor de combustíveis para identificar novos beneficiários do esquema na engrenagem pública do Rio de Janeiro.