Visita de Lula a Minas Gerais acirra disputa política em torno de novo hospital em Divinópolis

Presidente visita unidade hospitalar construída com recursos estaduais e de reparação de Brumadinho; evento é marcado por divergências entre aliados de Romeu Zema e a base governista.

A agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais nesta sexta-feira (19) transita entre o compromisso institucional e o palanque político. Com passagens por Belo Horizonte e Divinópolis, o presidente concentra atenção em um projeto que se tornou o epicentro de uma disputa narrativa: a visita a um hospital que, embora seja agora gerido pela União, foi erguido pelo governo mineiro.

O "Pivô" da Disputa

A unidade hospitalar em Divinópolis possui um histórico complexo. Iniciada em 2009, a obra arrastou-se por mais de uma década, enfrentando longos períodos de paralisação. O destino do complexo só foi selado após a destinação de recursos provenientes do acordo de reparação da tragédia de Brumadinho.

Embora o governo mineiro tenha sido o responsável pela construção e equipagem do prédio, a gestão será feita por uma estatal federal, em parceria com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O modelo prevê que o governo federal assuma um custo operacional superior a R$ 300 milhões anuais.

Divergências na Oposição

A visita presidencial trouxe à tona as fraturas políticas locais. A família do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que possui forte influência em Divinópolis, apresentou posições distintas. Enquanto o senador adotou um tom conciliador, afirmando que a visita de um presidente "é motivo de felicidade e orgulho" e que Lula será bem recebido, seu irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), adotou postura oposta: "Da minha parte e da maioria dos divinopolitanos, não será".

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A crítica é compartilhada pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) e por lideranças da direita mineira. O argumento central é que o governo federal estaria utilizando uma obra custeada pelo estado para promover ganhos políticos às vésperas de um período eleitoral. Zema frequentemente recorda que a União não investiu na execução da obra, tendo o governo estadual cogitado, inclusive, doar o prédio à União apenas como uma estratégia para tentar reduzir a dívida do estado.

Articulação e Contraponto

Em defesa do projeto, a deputada estadual Lohanna França (PV), que atuou na articulação para a transferência do hospital à União, defende a importância da unidade para a saúde pública da região. Segundo ela, a viabilização do hospital atende a uma demanda histórica da população.

A parlamentar aproveitou o cenário para rebater as críticas da oposição e atacar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com quem a família Azevedo mantém forte alinhamento político, reacendendo o debate sobre a eficiência na gestão das obras públicas entre as diferentes esferas de governo.

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O evento desta sexta-feira reforça que, além da entrega de um equipamento de saúde crucial para a região, a unidade servirá como termômetro da polarização política em Minas Gerais, um estado que promete ser estratégico no desenho da sucessão presidencial e estadual.

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