BELO HORIZONTE – Novos desdobramentos na investigação sobre a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Michele Leão Azevedo, de 41 anos, trouxeram detalhes cruciais para o caso. Exames toxicológicos realizados pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) detectaram a presença de substâncias psicoativas na urina da policial. O laudo, no entanto, não aponta a causa exata do óbito, e o processo segue em segredo de Justiça.
As análises foram concluídas no dia 23 de julho pelo Laboratório de Toxicologia do Instituto Médico-Legal (IML). De acordo com informações divulgadas pela Rádio Itatiaia, a perícia identificou três substâncias no organismo da vítima:

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MDA (metilenodioxianfetamina);
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MDMA (metilenodioximetanfetamina), o princípio ativo do ecstasy;
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Anfetamina.
Morte provocada e descarte de provas no hospital
O principal suspeito do crime é o marido da vítima, o 3º sargento da PMMG Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, com quem Michele era casada há cerca de oito anos.
Na noite de segunda-feira (20/07), Eduardo levou Michele já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na capital mineira. Durante o atendimento na unidade de saúde, o sargento foi flagrado por câmeras e testemunhas tentando descartar cerca de 18 comprimidos de ecstasy na lixeira de um banheiro. A ação resultou em sua autuação em flagrante também por tráfico de drogas.
As contradições da versão do suspeito
Em depoimento, o sargento alegou que a esposa teria sofrido uma queda acidental da escada por volta do meio-dia, após o casal ter consumido bebidas alcoólicas e ecstasy em uma festa no dia anterior.
A versão do marido: Eduardo justificou as múltiplas lesões no corpo de Michele como resultado de "práticas sexuais consensuais de dominação". Ele afirmou ainda que a capitã recusou socorro médico imediato por receio de sofrer sanções disciplinares na corporação pelo uso de substâncias ilícitas.
Contudo, os laudos periciais e médicos desmentiram a narrativa apresentada pelo militar em pontos críticos:
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Incompatibilidade das lesões: A perícia identificou traumatismo craniano, uma lesão contundente severa no rosto e marcas espalhadas pelo corpo compatíveis com chicotadas — ferimentos considerados totalmente incompatíveis com uma simples queda de escada.
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Hora da morte: Apesar de ter buscado socorro hospitalar apenas por volta das 21h, os exames necroscópicos apontaram que Michele já estava morta há um período entre quatro e seis horas antes de dar entrada na unidade médica.
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Imagens de segurança: Câmeras do circuito interno do condomínio registraram o momento em que Eduardo carregou a esposa desacordada até o veículo, reforçando as suspeitas da polícia.
Histórico de abusos e investigações por feminicídio
Familiares e a mãe da capitã relataram aos investigadores que Michele vivia sob constante violência psicológica, humilhações e controle excessivo. Segundo os relatos, ela estava tentando se separar, mas o marido não aceitava o fim do relacionamento.
O histórico de Eduardo Abner revela outros episódios de violência. O sargento já acumulava dois boletins de ocorrência por violência doméstica registrados por ex-companheiras (nos anos de 2014 e 2016). Além disso, em 2025, ele havia sido desligado da diretoria de uma associação militar por desvios disciplinares.
Capitã de destaque na PMMG, Michele Leão Azevedo possuía uma carreira consolidada, com especializações em Direitos Humanos e atuação na docência corporativa.
O sargento Eduardo Abner segue preso e responderá por feminicídio consumado e tráfico de drogas. O caso continua sob a responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Belo Horizonte.