Delegados da PF relatam pressão ao gabinete de André Mendonça em investigações do caso Master

Investigadores apontam receio de retaliação no Inquérito das Fake News e revelam envio de HD criptografado com dados de Daniel Vorcaro ao STF.

Delegados da Polícia Federal (PF) relataram diretamente ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), um ambiente de forte pressão interna ao lidar com informações que envolviam o nome do também ministro Alexandre de Moraes nas apurações ligadas ao caso do Banco Master.

Segundo apuração da coluna de Cézar Feitoza, no portal UOL, ao menos cinco pessoas ouvidas sob reserva revelaram que os investigadores temiam sofrer sanções ou se tornarem alvos formais do Inquérito das Fake News — conduzido por Moraes — caso produzissem relatórios citando o magistrado ou se novas informações chegassem à imprensa.

Orientação interna e apagamento de materiais

O clima de apreensão entre os policiais se intensificou após uma reunião conduzida pelo diretor da PF, Dennis Cali, com a equipe dedicada ao caso. Na ocasião, orientou-se que nenhum documento ou relatório citando o ministro Alexandre de Moraes fosse elaborado sem expressa autorização judicial, fundamentando-se no fato de que ministros do STF possuem prerrogativa de foro e não podem ser investigados diretamente pela Polícia Federal sem o aval prévio da própria Corte.

Relatos de integrantes da equipe indicam ainda que teria havido instrução para excluir materiais e rascunhos preliminares que vinham sendo preparados durante as diligências.

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Videochamada e entrega de HD criptografado

Diante do impasse e da sensação de constrangimento na condução das investigações:

  1. Contato direto (7 de março): Um dos delegados responsáveis pelo caso realizou uma reunião por videochamada com a equipe do gabinete do ministro André Mendonça para expor o cenário de pressão e as dificuldades enfrentadas.

  2. Envio do material (8 de março): No dia seguinte ao contato, um HD lacrado e com dados criptografados contendo a cópia integral das informações extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi entregue ao gabinete de Mendonça no STF.

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Versões conflitantes sobre a iniciativa

A entrega dos arquivos digitais gerou controvérsia interna na corporação quanto à origem do pedido:

  • Versão de parte dos investigadores: Afirmam que o envio do HD criptografado ocorreu de forma voluntária por parte da equipe de investigação, como medida de garantia e preservação das provas diante da pressão relatada.

  • Versão da cúpula da PF: Integrantes da alta gestão da Polícia Federal e outro delegado sustentam que o material foi remetido atendendo a uma solicitação explícita vinda do próprio gabinete do ministro André Mendonça.

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O impasse no coração do Judiciário

O episódio traz à tona um dos dilemas institucionais mais complexos enfrentados pelo Supremo Tribunal Federal na atualidade: o limite entre as garantias de proteção aos magistrados e a autonomia do trabalho investigativo.

Enquanto a regra do foro privilegiado visa proteger integrantes da Corte contra investigações, a sobreposição de inquéritos e o receio de retaliações por parte de investigadores expõem os riscos de paralisação ou blindagem de apurações que tangenciam membros do próprio Judiciário.


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"Delegados da Polícia Federal relataram ao gabinete de André Mendonça que se sentiam pressionados diante da possibilidade de produzir documentos envolvendo Alexandre de Moraes no caso Master.

Segundo reportagem do UOL, cinco pessoas ouvidas sob reserva relataram que investigadores temiam se tornar alvo do inquérito das fake news caso um relatório envolvendo Moraes fosse produzido ou novas informações chegassem à imprensa.

A tensão aumentou depois que o diretor da PF Dennis Cali reuniu a equipe responsável pela investigação. De acordo com os relatos, ele orientou que nenhum relatório envolvendo Moraes fosse produzido sem autorização judicial, já que ministros do STF não podem ser investigados pela Polícia Federal sem aval da Corte. Investigadores também afirmaram que houve orientação para excluir material que estivesse sendo preparado.

No dia 7 de março, um dos delegados conversou por videochamada com André Mendonça e relatou a situação. No dia seguinte, um HD lacrado e criptografado com uma cópia dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro foi encaminhado ao gabinete do ministro.

Há divergência sobre quem tomou a iniciativa de enviar o material. Parte dos investigadores afirma que o envio foi voluntário. Integrantes da cúpula da PF e um delegado dizem que houve solicitação do gabinete de Mendonça.

A discussão vai direto ao centro da crise atual no Supremo: até onde vai a proteção institucional necessária para investigar um ministro sem que essa mesma proteção se transforme em obstáculo para a investigação?

📰 Fonte: UOL / coluna Cézar Feitoza

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