Por: Redação do Portal de Notícias
O Delegado de Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Rafael Faria, emitiu um alerta importante sobre uma modalidade de fraude que tem preocupado as autoridades pela sofisticação da engenharia social utilizada: o "Golpe da Bíblia". Segundo o delegado Rafael Faria, os criminosos têm explorado a fé e a boa-fé das vítimas para capturar gravações de áudio que, posteriormente, são editadas para autorizar transações financeiras fraudulentas.
Como funciona a fraude
O esquema é estruturado para criar uma sensação de confiança imediata. O golpista entra em contato com a vítima — geralmente por telefone — apresentando-se como representante de uma congregação religiosa. Com um tom de voz amigável e acolhedor, o criminoso solicita permissão para ler um versículo bíblico ou fazer uma breve oração.
O cerne do golpe acontece logo após essa abordagem: o golpista faz perguntas reflexivas, como "Você concorda com a palavra do Senhor?" ou "Você aceita Jesus em seu coração?". O objetivo único do criminoso não é a reflexão religiosa, mas induzir a vítima a pronunciar palavras de afirmação, como "sim", "concordo" ou "aceito".
Esses áudios, uma vez gravados, são editados e utilizados por quadrilhas em sistemas automatizados de bancos ou financeiras. Em muitos desses sistemas, a confirmação vocal da vítima é aceita como prova de vontade para a contratação de empréstimos consignados ou abertura de crediários.
Variações do golpe e roubo de dados
Além das ligações telefônicas, vem alerta para outra vertente do crime que circula intensamente nas redes sociais: a oferta de uma "Bíblia de Graça".
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O golpe do frete: Ao acessar links maliciosos ou postagens falsas, a vítima é induzida a preencher um cadastro com dados pessoais e, sob o pretexto de arcar apenas com o custo do frete, é levada a realizar um pagamento via Pix. O produto, naturalmente, nunca é entregue.
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Engenharia Social: Os criminosos utilizam frequentemente dados vazados de cadastros antigos para tornar a ligação mais convincente, mencionando nome completo, endereço ou até parentes da vítima, o que reduz a desconfiança inicial.
Como se proteger das fraudes
A recomendação é, cautela redobrada no atendimento a números desconhecidos. Para evitar ser a próxima vítima, siga estas orientações:
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Desconfie de ligações inesperadas: Mesmo que a abordagem pareça educada ou religiosa, encerre a chamada se o tom for incomum ou se perguntas forem invasivas.
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Evite confirmações isoladas: Evite responder a perguntas de forma que apenas uma palavra sua ("sim", "concordo", "aceito") fique isolada na linha. Se for questionado, prefira respostas completas.
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Nunca pague por brindes: Desconfie de qualquer "oferta gratuita" que solicite o pagamento de taxas de entrega ou frete antes da entrega do produto.
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Verifique a procedência: Se realmente tiver interesse em uma Bíblia ou material religioso, procure diretamente as congregações oficiais em sites e canais de comunicação autenticados.
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Denuncie: Caso suspeite ter caído no golpe ou tenha tido sua voz gravada, entre em contato imediatamente com sua instituição bancária para bloquear qualquer transação em seu nome e registre um Boletim de Ocorrência na delegacia mais próxima ou pelo portal da Polícia Civil.
A segurança dos seus dados pessoais é a primeira linha de defesa contra esses crimes. Em caso de dúvidas, a Polícia Civil reforça que instituições religiosas legítimas não solicitam confirmações vocais para empréstimos financeiros.