Novos desdobramentos das investigações sobre o colapso do Banco Master trazem à tona um dos maiores esquemas de influência financeira da história recente do país. Documentos sigilosos da Receita Federal, agora em posse da CPI do Crime Organizado, revelam que a instituição financeira movimentou cerca de R$ 190 milhões em pagamentos a figuras do alto escalão da política brasileira e do Judiciário.
O Mapa dos Beneficiários: Nomes de Peso sob Suspeita
Os dados fiscais apontam um fluxo contínuo de recursos para políticos e autoridades, muitas vezes utilizando escritórios de advocacia como intermediários. Entre os nomes citados nos documentos, destacam-se:
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Michel Temer (MDB): O ex-presidente é monitorado por repasses realizados via empresas e bancas de advocacia vinculadas ao seu círculo direto.
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Ricardo Lewandowski: O atual Ministro da Justiça e ex-ministro do STF teve seu nome associado a pagamentos destinados a escritórios de advocacia parceiros.
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ACM Neto e Antônio Rueda (União Brasil): O partido aparece como peça central. ACM Neto teria recebido R$ 5,45 milhões por meio da A&M Consultoria Ltda. Rueda, presidente da legenda, também é listado como beneficiário de cifras milionárias.
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Ex-Ministros e Famílias de Governadores: A lista inclui nomes como Guido Mantega, Henrique Meirelles e Fabio Wajngarten, além de movimentações ligadas à família do governador paranaense Ratinho Jr..
A "Mesada" no Banco Central e o Esvaziamento Patrimonial
A Polícia Federal investiga se os pagamentos serviam para garantir um "escudo regulatório". Segundo o inquérito, dois ex-servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, atuavam como consultores informais, recebendo valores para ajudar o Master a burlar fiscalizações.
O esquema ruiu em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação da instituição após identificar um esvaziamento patrimonial bilionário. O dono do banco, Daniel Vorcaro, cujo patrimônio saltou atípicos R$ 1,23 bilhão em apenas um ano, foi preso em março de 2026 na Operação Compliance Zero, por ordem do ministro André Mendonça (STF).
O Elo com a Mídia: R$ 27 milhões para o Portal Metrópoles
Um capítulo à parte nas investigações envolve o repasse de R$ 27,2 milhões ao portal de notícias Metrópoles, de propriedade do ex-senador Luiz Estevão. O Coaf classificou as transferências como "suspeitas e incompatíveis".
Inconsistências no Patrocínio:
A defesa do banco alega que os valores eram destinados ao patrocínio da Série D do futebol brasileiro via Will Bank (braço digital do grupo). No entanto, o Coaf levantou alertas graves:
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Pagamentos Antecipados: Os repasses começaram meses antes de qualquer exposição da marca.
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Débito Imediato: Assim que o dinheiro entrava nas contas do portal, era transferido imediatamente para empresas da família de Luiz Estevão.
Reações e Próximos Passos
A Transparência Internacional já protocolou um pedido junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que se investigue a fundo a conexão entre ministros de tribunais superiores e o Banco Master.
A CPI agora foca na quebra de sigilo bancário das empresas de consultoria citadas para entender se os serviços pagos pelo Banco Master foram efetivamente prestados ou se tratavam-se apenas de "pedágio" para a manutenção de um esquema de corrupção sistêmica.
Histórico: Luiz Estevão, proprietário do Metrópoles, foi o primeiro senador cassado da história do Brasil e já cumpriu pena por corrupção e desvio de verbas públicas na construção do TRT-SP.
Este é um caso em andamento. Novas informações podem ser publicadas à medida que os documentos da CPI forem liberados.