MURIAÉ (MG) – A madrugada desta quinta-feira (02) foi marcada por uma cena de barbárie no sistema prisional da Zona da Mata mineira. Um detento de 28 anos foi brutalmente assassinado e teve seu corpo esquartejado no interior da Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Júnior, em Muriaé. O autor do crime, que dividia a cela com a vítima, confessou o homicídio logo após a descoberta do corpo.
O Crime: Dissimulação e Crueldade
De acordo com informações obtidas junto à direção da unidade prisional, o crime ocorreu em um momento de silêncio na galeria. O suspeito, cuja identidade não foi revelada mas que já possui um extenso histórico de conduta violenta, teria agido de forma extremamente dissimulada. Aproveitando-se da falta de vigilância direta no interior da cela durante a madrugada, ele surpreendeu a vítima, impedindo qualquer chance de reação ou defesa.
O cenário encontrado pelos policiais penais ao abrirem a cela foi descrito como estarrecedor: partes do corpo do jovem de 28 anos foram localizadas logo na entrada e espalhadas pelo interior do compartimento.
Motivação: Histórico de Violência e Relacionamento
As investigações preliminares da Polícia Civil e o setor de inteligência da unidade apontam que o crime não teria sido motivado por disputas de facções, mas sim por questões passionais e conflitos pessoais. Vítima e agressor mantinham um relacionamento, marcado por um histórico prévio de episódios violentos entre ambos.
A polícia investiga agora quais instrumentos foram utilizados para o esquartejamento e se houve planejamento prévio (premeditação) para a execução do ato.
Perfil da Vítima e Procedimentos Legais
A vítima possuía uma trajetória longa no sistema prisional, com passagens registradas desde o ano de 2015. Ele havia sido transferido para a Penitenciária de Muriaé recentemente, em agosto de 2025.
Após a confissão formal dentro da unidade, o suspeito foi isolado, retirado da carceragem comum e encaminhado sob escolta à Delegacia de Polícia Civil de Muriaé, onde foi autuado em flagrante por homicídio qualificado e vilipêndio de cadáver.
Resposta das Autoridades
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) informou que a direção do presídio tomou medidas imediatas:
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Procedimento Administrativo: Foi instaurada uma investigação interna para apurar se houve falha na vigilância ou omissão administrativa que permitisse a entrada de objetos cortantes ou a execução de um crime de tamanha complexidade dentro da cela.
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Perícia: A perícia técnica da Polícia Civil esteve no local para coletar evidências e encaminhar os restos mortais ao Instituto Médico Legal (IML). O caso reacende o debate sobre a segurança interna e a convivência de detentos com perfis de alta periculosidade em celas comuns.