SANTOS (SP) – O Brasil amanheceu sob a expectativa de uma nova paralisação nacional dos transportadores de carga. Representantes de diversas entidades da categoria se reúnem às 15h desta quarta-feira (18), no litoral paulista, para bater o martelo sobre a adesão a uma greve geral. O movimento é uma resposta direta à escalada desenfreada no preço dos combustíveis e ao que a categoria chama de "insustentabilidade do frete".
A tensão cresceu após uma assembleia realizada na última segunda-feira (16), onde a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos (Sindicam) aprovaram o início do movimento.
O estopim: Crise no Estreito de Ormuz e o Diesel nas alturas
O cenário internacional é o principal vilão do atual aumento. O conflito diplomático e militar entre Estados Unidos e Irã resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais do planeta, por onde escoa cerca de 20% do petróleo bruto mundial.
Com a cotação do barril disparando no mercado externo, o impacto nas bombas brasileiras foi imediato. No campo, o reflexo já é crítico: empresários relatam que o diesel começou a faltar para a colheita de soja e arroz, e a Petrobras teria cortado em até 30% o fornecimento para distribuidoras com foco em abril.
"A categoria decidiu cruzar os braços. Nas condições atuais, com esses aumentos sucessivos, não há como manter o transporte rodando. O caminhoneiro está pagando para trabalhar", afirma Wallace Landim, o "Chorão", presidente da Abrava.
Piso do Frete: O descumprimento que sufoca o autônomo
Além do preço do combustível, o descumprimento da Tabela Mínima de Frete é o ponto central da revolta. Segundo as lideranças, as transportadoras estão ignorando os valores mínimos estabelecidos pela ANTT, forçando o caminhoneiro autônomo a absorver sozinho a alta do diesel.
As exigências da categoria junto à ANTT incluem:
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Fiscalização Rigorosa: Travamento eletrônico do registro de transportadoras que não pratiquem o piso do frete.
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Punições Administrativas: Suspensão ou perda definitiva do registro para empresas infratoras.
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Revisão de Custos: Ajuste imediato dos valores para refletir a realidade do preço do combustível.
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Até o momento, representantes de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Goiás já sinalizaram apoio ao movimento grevista.
Entidades divergem e aguardam desfecho em Santos
O clima entre as federações é de cautela, mas de união em torno da gravidade do cenário. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) chegou a anunciar apoio à greve na terça-feira (17), mas recuou em seguida, afirmando que aguardará a decisão coletiva desta tarde em Santos.
Em paralelo, a CNTTL acionou a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para investigar possíveis práticas especulativas. Há relatos de postos elevando preços mesmo em períodos sem reajuste oficial da Petrobras.
Já a Federação dos Caminhoneiros Autônomos de São Paulo (Fetrabens), através de seu presidente Everaldo de Azevedo Bastos, destacou em nota oficial que o aumento do combustível apenas "agravou um quadro estrutural já existente", citando a redução da remuneração real e o aumento dos riscos da profissão como fatores que tornam a atividade inviável.
O que esperar das próximas horas?
Caso a greve seja confirmada na reunião das 15h, o impacto no abastecimento nacional pode ser sentido em poucos dias. As autoridades acompanham o movimento com atenção, temendo o desabastecimento de itens básicos e o agravamento da crise econômica.