As investigações sobre o estupro coletivo de uma estudante de 17 anos em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ganharam contornos ainda mais dramáticos. Imagens obtidas pela Polícia Civil e divulgadas pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostram os cinco investigados — quatro adultos e um adolescente — comemorando e fazendo piadas em tom de deboche no elevador do prédio, instantes após o crime.
No registro, um dos envolvidos ironiza o sofrimento alheio ao afirmar: “A mãe de alguém teve que chorar, porque as nossas mães hoje...”. A frase, dita em meio a risadas, reforça para a polícia a convicção sobre a premeditação e a falta de remorso do grupo.
A Dinâmica do Crime no Apartamento
O crime ocorreu no dia 31 de janeiro de 2025. Segundo o inquérito, a vítima foi atraída ao imóvel por um colega, sob o pretexto de um encontro social. Ao chegar ao apartamento, a estudante deparou-se com outros quatro indivíduos.
A investigação aponta que a adolescente recusou expressamente qualquer interação sexual com o grupo. Diante da negativa, ela foi trancada em um cômodo e submetida a atos de violência sexual por parte dos cinco presentes.
Identificação e Prisão dos Envolvidos
Todos os suspeitos já estão sob custódia do Estado. O adolescente envolvido apresentou-se em uma unidade policial em Belford Roxo, cumprindo mandado de busca e apreensão. Os quatro adultos, que já tiveram suas prisões preventivas decretadas, entregaram-se dias antes:
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Bruno Felipe dos Santos Allegretti (18 anos)
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João Gabriel Xavier Berthô (19 anos)
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Mattheus Veríssimo Zoel Martins (19 anos)
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Vitor Hugo Oliveira Simonin (18 anos)
O "Modus Operandi" e Novas Vítimas
A repercussão do caso de Copacabana serviu de gatilho para que outras vítimas rompessem o silêncio. O delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), confirmou a abertura de dois novos inquéritos contra o grupo, baseados em relatos de crimes ocorridos em outubro de 2023 e outubro de 2025.
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Caso Maracanã (2023): Uma adolescente, que na época tinha apenas 14 anos e mantinha um relacionamento com o menor do grupo, relatou ter sido atraída para um apartamento no Maracanã, onde sofreu abusos de Mattheus Veríssimo e um terceiro indivíduo identificado como Gabriel. Segundo o delegado, o relato é "idêntico" ao crime atual.
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Caso Festa Estudantil (2025): Uma aluna do Colégio Pedro II denunciou ter sido estuprada por Vitor Hugo Oliveira Simonim durante um evento escolar. Vitor Hugo é filho de José Carlos Costa Simonim, ex-subsecretário estadual de Governança, que foi exonerado do cargo imediatamente após o escândalo vir à tona.
Conexão Acadêmica e Institucional
O grupo possuía forte ligação com instituições de ensino tradicionais do Rio, como o Colégio Pedro II e a Unirio. A Polícia Civil investiga agora se os suspeitos utilizavam o ambiente estudantil e a proximidade com colegas para selecionar e atrair possíveis vítimas, configurando um padrão de comportamento predatório.