OLIVEIRA E DIVINÓPOLIS – O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nas primeiras horas desta terça-feira (10) a “Operação Blackout”. A ofensiva visa desestruturar uma organização criminosa de alta periculosidade que dominava o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na Região Centro-Oeste do estado.
Ao todo, estão sendo cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão preventiva. A operação é o resultado de oito meses de investigações intensas que revelaram uma rede complexa de crimes, incluindo corrupção dentro das forças de segurança e um sofisticado esquema de ocultação de patrimônio.
Corrupção e Rede de Apoio
Um dos pontos centrais da operação foi a prisão preventiva de um Policial Civil. Segundo as investigações, o agente é suspeito de atuar como "informante" da quadrilha, repassando dados sigilosos sobre operações e inquéritos, o que permitia que os líderes do bando antecipassem os passos da justiça.
Além do policial, a residência de um advogado foi alvo de busca e apreensão. Os investigadores apuram se o profissional exercia funções que extrapolavam a defesa jurídica, auxiliando no "embaraço" às investigações e na manutenção das atividades ilícitas da organização.
O Rastro de Sangue em Oliveira
A "Operação Blackout" nasceu da necessidade de conter uma onda de violência que vinha assombrando a cidade de Oliveira. Uma série de homicídios brutais registrados nos últimos meses serviu de fio condutor para o MPMG. As execuções estavam diretamente ligadas a uma guerra entre facções rivais que disputavam o controle dos pontos de venda de drogas (bocas de fumo) na região.
Asfixia Financeira: Imóveis e Carros de Luxo
Para além das prisões, a força-tarefa foca no confisco do capital criminoso. Foram expedidas nove ordens judiciais de sequestro que atingem o patrimônio dos investigados, incluindo:
-
05 Imóveis de alto padrão;
-
04 Automóveis de luxo;
-
Bloqueio de contas bancárias de 19 pessoas envolvidas no esquema.
A justiça determinou o sequestro de todo o dinheiro encontrado nas contas, visando impedir que a organização continue financiando suas atividades mesmo com os líderes presos.
Números da Operação
O aparato mobilizado para garantir o cumprimento dos mandados demonstra a magnitude da operação:
| Recurso | Quantidade |
| Policiais Militares | 125 |
| Policiais Civis | 30 |
| Policiais Penais | 12 |
| Promotores e Servidores do MP | 05 |
| Viaturas | 46 |
| Aeronave (Helicóptero) | 01 |
| Equipe ROCCA | Cães Farejadores empenhados |
As investigações ainda estão em curso, e o material apreendido (celulares, documentos e armas) será periciado para identificar novos desdobramentos e outros possíveis agentes públicos envolvidos.
O nome da operação: "Blackout" faz referência ao objetivo de "apagar" as luzes da organização criminosa, interrompendo o fluxo de informações e o fornecimento de drogas na região.
Continua após a publicidadeFotos: MPMG/Divulgação