Fim da escala 6x1: Hugo Motta envia PEC à CCJ e afirma que debate é questão de dignidade

Presidente da Câmara sinaliza avanço histórico na jornada de trabalho brasileira; proposta de Erika Hilton e Reginaldo Lopes agora será analisada quanto à sua constitucionalidade.

BRASÍLIA – O debate sobre a modernização das relações de trabalho no Brasil ganhou um novo e decisivo capítulo nesta segunda-feira (9). O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou formalmente à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que visam extinguir a jornada de trabalho de seis dias por um de descanso, a popular escala 6x1.

A decisão ocorre sob forte pressão das redes sociais e de movimentos de trabalhadores, que classificam o modelo atual como "anacrônico" e "prejudicial à saúde mental". Motta, em um tom enfático, defendeu que a mudança não é apenas necessária, mas um dever do parlamento.

“Vamos começar esta grande caminhada agora porque o Brasil precisa, porque o povo merece, porque é o certo a fazer”, declarou o presidente da Câmara.

O que dizem as propostas em jogo

Duas propostas principais tramitam juntas (apensadas) e servirão de base para o debate:

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  1. PEC 8/25 (Erika Hilton - PSOL/SP): Fruto de uma mobilização popular massiva, propõe a redução da jornada semanal para 36 horas, eliminando a escala 6x1 sem redução salarial.

  2. PEC 221/19 (Reginaldo Lopes - PT/MG): Sugere uma transição gradual da jornada de 44 para 36 horas semanais ao longo de dez anos.

O papel da CCJ e o rito legislativo

O envio à CCJ é o primeiro filtro oficial. Sob a presidência da comissão, os deputados avaliarão se o texto fere cláusulas pétreas da Constituição Federal. Não se discute ainda o mérito (se é bom ou ruim), mas sim a admissibilidade.

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Os próximos passos são:

  • Relatoria na CCJ: Um deputado será designado para dar o parecer.

  • Votação na CCJ: Se aprovada, a proposta ganha "vida" legislativa.

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  • Comissão Especial: Será criado um colegiado para ouvir empresários, sindicatos e economistas para ajustar o texto final.

  • Plenário: Aprovada na comissão especial, a PEC precisa de 308 votos em dois turnos na Câmara antes de seguir para o Senado.

Impacto e Justificativa

Para Hugo Motta, o Brasil precisa alinhar seu modelo econômico ao bem-estar social. Ele destacou que o trabalhador precisa "dispor de mais tempo e mais dignidade", ressaltando que o tempo de qualidade com a família e o descanso são pilares para uma economia produtiva e humana.

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Contudo, o debate promete ser intenso. Enquanto setores de serviços e comércio expressam preocupação com o aumento de custos operacionais, defensores da medida apontam estudos que mostram que jornadas menores aumentam a produtividade e reduzem gastos do Estado com afastamentos por doenças ocupacionais, como o burnout.


Comparativo: Jornada Atual vs. Proposta

Aspecto Modelo Atual (CLT) Proposta em Discussão
Limite Semanal 44 horas 36 horas
Escala Comum 6 dias de trabalho / 1 folga 4 ou 5 dias de trabalho / 2 ou 3 folgas
Salário Piso da categoria Mantido (Redução proibida pela PEC)
Foco Disponibilidade total Qualidade de vida e produtividade

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