PF deflagra Operação Pedra Turva contra grupo que invadia sistema da Agência Nacional de Mineração para fraudar leilões

Brasília – A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (29) a Operação Pedra Turva, uma ofensiva estratégica para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudar licitações de áreas minerárias em todo o país. A operação mira um esquema de alta tecnologia que comprometia a integridade da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Ao todo, cerca de 60 agentes federais foram às ruas para cumprir 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal. As diligências estão concentradas no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais e Pará — regiões com forte atividade mineradora e onde se acredita que o grupo possuía maior influência operacional.

O "Hack" no Sistema de Leilões

O coração da investigação reside na manipulação do Sistema de Oferta Pública e Leilão Eletrônico (SOPLE) da ANM. De acordo com a PF, o grupo utilizava técnicas avançadas de invasão cibernética para romper a segurança do sistema informático da agência.

Com o acesso privilegiado, os criminosos conseguiam visualizar, em tempo real e de forma antecipada, os lances sigilosos enviados por empresas concorrentes. De posse dessas informações, o grupo apresentava propostas ligeiramente superiores nos minutos finais, garantindo a vitória em áreas altamente lucrativas destinadas à pesquisa e extração de minérios, como ouro e minério de ferro.

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Mercado Secundário e "Laranjas"

A investigação revelou um modus operandi audacioso: após arrematarem as áreas de forma fraudulenta, os suspeitos não operavam as minas. Em vez disso, funcionavam como corretores ilegais, negociando os direitos de exploração no mercado secundário.

Curiosamente, o grupo chegava a revender as áreas para as mesmas empresas que haviam sido derrotadas no leilão manipulado. Para dar aparência de legalidade e volume aos certames, os investigados utilizavam:

  • Empresas de fachada: Criadas apenas para participar dos leilões.

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  • Laranjas: Pessoas interpostas que assinavam documentos para ocultar os verdadeiros chefes do esquema.

  • Simulação de competição: Lances falsos entre empresas do mesmo grupo para inflar ou direcionar o resultado.

Bloqueio de Bens e Próximos Passos

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio imediato de bens e valores dos investigados para garantir o ressarcimento aos cofres públicos e o pagamento de multas. A PF agora analisa o material apreendido — que inclui computadores, celulares e documentos contábeis — para identificar se houve a participação de servidores públicos dentro da ANM facilitando as invasões.

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Os envolvidos na Operação Pedra Turva poderão responder por uma série de crimes graves, cujas penas somadas podem ultrapassar décadas de reclusão:

  1. Fraude em Licitação: Manipulação de processos competitivos públicos.

  2. Invasão de Dispositivo Informático: Ataques hackers a sistemas do governo.

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  3. Falsidade Ideológica: Uso de documentos e nomes falsos para enganar a administração pública.

  4. Associação Criminosa: Organização estruturada para a prática de delitos.

A ANM ainda não se manifestou oficialmente sobre as vulnerabilidades apontadas no sistema SOPLE, mas a Polícia Federal informou que as investigações também visam sugerir melhorias na segurança digital do órgão para evitar novos ataques.


Destaques da Operação:

  • Alvos: 15 mandados de busca e apreensão.

  • Estados: DF, GO, MG e PA.

  • Foco: Fraude no sistema SOPLE da Agência Nacional de Mineração.

  • Crime: Invasão de sistema para antecipação de lances e venda ilegal de direitos minerários.

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