Brasília – Em um movimento estratégico para a retomada do calendário legislativo, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, confirmou nesta quarta-feira (28) que o governo federal colocou a extinção da escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso) no topo de sua agenda prioritária. A meta é garantir a aprovação da medida no Congresso Nacional ainda antes do recesso de julho.
De acordo com a ministra, o Palácio do Planalto estuda enviar um projeto de lei ou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que unifique as diversas iniciativas sobre o tema que já tramitam na Câmara e no Senado. O objetivo é criar um texto de consenso que viabilize a transição para modelos de jornada mais flexíveis e humanos.
Foco na Qualidade de Vida e Impacto de Gênero
Gleisi Hoffmann contextualizou a medida como o próximo passo natural de uma agenda econômica voltada ao bem-estar social. Ela relembrou conquistas recentes, como a política de valorização do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5.000,00.
"Não é possível que as pessoas tenham um dia só por semana para descansar e realizar seus afazeres domésticos e pessoais. Isso atinge principalmente as mulheres, que enfrentam a jornada dupla. O presidente Lula está determinado a cuidar da qualidade de vida do povo brasileiro", afirmou a ministra.
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Articulação Política e Apoio de Hugo Motta
A viabilidade da pauta passa pelas mãos do presidente da Câmara, Hugo Motta. Segundo Gleisi, o parlamentar demonstrou "simpatia" em pautar o debate. A aposta do governo é na pressão da opinião pública: a ministra acredita que, assim como a isenção do IR foi aprovada com folga, o fim da escala 6x1 terá adesão maciça devido ao forte apelo popular.
Gleisi ressaltou ainda que setores como a indústria já adotam modelos mais modernos de jornada, o que serviria de prova de que a economia brasileira pode se adaptar sem perda de produtividade.
Retomada do Congresso: Mercosul e Segurança Pública no Radar
Com a volta dos trabalhos legislativos marcada para o dia 2 de fevereiro, a agenda do governo não se resume à jornada de trabalho. Gleisi Hoffmann listou outros pontos cruciais para o início de 2026:
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Acordo Mercosul-União Europeia: Esforço para finalizar o tratado de livre comércio.
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Trabalho por Aplicativos: Regulamentação de direitos para motoristas e entregadores.
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Segurança Pública: Foco na PEC da Segurança e no projeto de lei voltado ao combate às facções criminosas.
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Medidas Provisórias Econômicas: Destaque para o programa Gás do Povo e o Redata (Regime Especial para Datacenters), visando atrair investimentos tecnológicos para o país.
Esclarecimentos sobre o Banco Master e Investigações
Ao ser questionada sobre as recentes investigações envolvendo fraudes financeiras no Banco Master, a ministra rebateu as tentativas da oposição de desgastar a imagem do governo. Críticos têm tentado associar figuras como o ex-ministro Ricardo Lewandowski e o presidente Lula ao banqueiro Daniel Vorcaro, citando uma agenda oficial realizada em dezembro de 2024.
Gleisi minimizou as especulações, tratando os encontros como protocolares: "O presidente recebe lideranças de todos os setores, incluindo presidentes de bancos. Isso é da natureza do cargo. O que importa é que a orientação do presidente foi clara: apuração técnica e com o rigor da lei. O caso está sendo acompanhado de perto pelas autoridades competentes, sem qualquer interferência política", concluiu.