Em entrevista concedida ao programa Café com Política, do portal O TEMPO, nesta sexta-feira (23), o ex-prefeito de Itapecerica, Wirley Rodrigues Reis — amplamente conhecido como Têko — subiu o tom contra o atual modelo de distribuição de recursos no Brasil. Com a experiência de quem já ocupou a Secretaria Geral e a diretoria da Região Centro-Oeste da Associação Mineira de Municípios (AMM), o político mineiro defendeu uma revisão urgente no pacto federativo para evitar o colapso das gestões locais.
A discrepância entre arrecadação e responsabilidade
Para Têko, existe um abismo entre o local onde o imposto é gerado e onde ele é efetivamente aplicado. Durante o bate-papo, ele destacou que, embora o cidadão pague seus tributos e cobre resultados imediatos na porta de casa, o montante arrecadado percorre um longo caminho até Brasília, retornando apenas de forma fragmentada.
“A vida acontece no município. É aqui que o cidadão cobra os serviços, mas o recurso fica concentrado no governo federal. O município acaba ficando com toda a responsabilidade e com pouco recurso para executar as políticas públicas”, pontuou o ex-gestor.
Gargalos na Saúde, Educação e Social
O ex-prefeito ressaltou que as cidades de pequeno e médio porte são as mais prejudicadas por essa dinâmica. Segundo ele, áreas sensíveis como Saúde, Educação e Assistência Social sofrem com repasses que nem sempre acompanham a inflação ou o aumento da demanda populacional.
Têko argumentou que o fortalecimento das prefeituras não é uma questão de "querer mais dinheiro", mas de eficiência pública. “O recurso precisa chegar na ponta, onde o cidadão vive, para que os problemas sejam resolvidos com mais agilidade. Quando o dinheiro chega ao município, ele vira atendimento médico, vaga em creche e amparo social. É isso que muda a realidade das pessoas”, afirmou.
O papel da união municipalista
Ao relembrar sua trajetória na AMM, Têko enfatizou que a única forma de os municípios terem voz perante os gigantes federativos é através do associativismo. Ele defendeu que a organização coletiva dos prefeitos é o que permite um diálogo de igual para igual com os governos estadual e federal.
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Pautas Comuns: Ele defendeu que os municípios se organizem para exigir a redução da burocracia no acesso a verbas.
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Realidade Local: Têko criticou decisões tomadas em gabinetes refrigerados na capital federal que desconhecem a poeira e as dificuldades do interior. “É preciso ouvir quem está na ponta. Os prefeitos conhecem de perto a dor do povo”, concluiu.
Debate Permanente
Ao final da entrevista, o ex-prefeito de Itapecerica deixou claro que o debate sobre a reforma tributária e a distribuição de recursos não pode ser sazonal. Para ele, garantir que as prefeituras tenham fôlego financeiro é a única garantia de que os serviços essenciais não sejam interrompidos ou precarizados nos próximos anos.