O cenário de crise no sistema financeiro brasileiro ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21). O Banco Central do Brasil (BC) oficializou a decretação da liquidação extrajudicial da Will Financeira, o braço digital e de crédito do conglomerado liderado pelo Banco Master. A medida ocorre apenas meses após a queda da matriz, confirmando a insolvência de um dos grupos que mais cresceram no setor de fintechs nos últimos anos.
Insolvência e Quebra de Acordos
Em nota oficial, a autoridade monetária afirmou que a liquidação tornou-se "inevitável". O BC citou o grave comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e a sua óbvia insolvência. Um dos pontos determinantes foi o descumprimento, por parte da Will Financeira, da grade de pagamentos junto à bandeira Mastercard, o que paralisou a operação de cartões e arranjos de pagamento da empresa.
Antes da decisão drástica, o Banco Central tentou uma última cartada através do Regime Especial de Administração Temporária (RAET), na tentativa de sanear as contas e manter a operação ativa. Contudo, a autarquia concluiu que a continuidade da empresa era inviável devido ao "vínculo de interesse" com o Banco Master S.A., que já se encontra sob intervenção e liquidação desde o final de 2025.
Bens Bloqueados e Investigação de Controladores
Seguindo o rigor da Lei 6.024/74, o BC decretou a indisponibilidade imediata dos bens de controladores e ex-administradores da Will Financeira. A medida visa garantir recursos para o pagamento de credores e evitar a dilapidação de patrimônio durante as investigações.
Entre os alvos do bloqueio estão:
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Empresas: Will Holding Financeira, Master Holding Financeira e 133 Investimentos e Participações.
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Pessoas Físicas: Armando Miguel Gallo Neto, Daniel Vorcaro, Felipe Wallace Simonsen, Felipe Félix Soares e Ricardo Saad Neto.
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O Banco Central informou que continuará apurando responsabilidades administrativas, podendo encaminhar os resultados ao Ministério Público Federal para possíveis sanções criminais.
O Contexto: O Colapso do "Império Master"
A queda da Will Financeira é parte de um desdobramento maior iniciado em novembro de 2025, quando o Banco Master sofreu intervenção. O caso é considerado um dos episódios mais graves da história recente do Sistema Financeiro Nacional (SFN), envolvendo:
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Suspeitas de Fraudes Bilionárias: Uso de fundos de investimento para ocultar rombos operacionais.
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Operação Compliance Zero: Deflagrada pela Polícia Federal para combater a emissão de títulos de crédito falsos.
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Prisões: O principal acionista do grupo, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso em novembro e atualmente cumpre medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.
Situação dos Clientes
Com a liquidação, as operações da Will Financeira são interrompidas. Clientes e investidores que possuem valores custodiados ou saldos em conta devem aguardar o cronograma que será estabelecido pelo liquidante nomeado pelo Banco Central. Vale lembrar que depósitos em contas correntes e certas aplicações de crédito são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro do limite legal de R$ 250 mil por CPF.
Espaço Aberto: Até o fechamento desta matéria, os representantes legais da Will Financeira e dos citados não foram localizados para comentar a decisão. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas.