Ativos de resort ligados à família Toffoli são transferidos para offshore em manobra de 45.000% de valorização

Operação sob investigação da PF envolve o fundo Arleen e a offshore Egide I Holding, nas Ilhas Virgens Britânicas. Esquema guarda semelhanças com fraudes identificadas no Banco Master.

Uma complexa engenharia financeira está no centro de uma nova frente de investigação que atinge o círculo próximo do ministro do STF, Dias Toffoli. Conforme revelado pelo SBT News, o fundo Arleen, que detinha R$ 20 milhões em ações do resort Tayayá (propriedade ligada aos irmãos do ministro), liquidou seus ativos e transferiu todo o patrimônio para uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, cujos reais proprietários permanecem ocultos sob o véu do sigilo de paraísos fiscais.

A Mecânica da Supervalorização: O salto de 45.000%

O encerramento do fundo Arleen não foi uma liquidação comum. O processo ocorreu de forma acelerada no final de 2025 e levantou alertas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devido a uma valorização astronômica em curto prazo:

  • 5 de novembro de 2025: O fundo decide entregar seus ativos à offshore Egide I Holding. Na data, cada cota valia R$ 1,51, totalizando R$ 11,5 milhões.

  • 4 de dezembro de 2025: Apenas um mês depois, uma nova assembleia elevou o valor unitário da cota para R$ 679,13.

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  • O Resultado: Uma valorização de quase 45.000%, permitindo que o montante repassado à offshore saltasse para R$ 33,9 milhões.

Com essa manobra, a Arleen transferiu 100% de seu capital para a Egide I Holding, incluindo as participações no resort paranaense que pertenciam à família de Toffoli.

O Elo com as Investigações da Polícia Federal

O modus operandi identificado no caso Arleen espelha as táticas atribuídas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal suspeita da criação de "bolhas" financeiras, onde fundos compram ativos de baixo valor (chamados de "ativos podres") e forjam uma valorização rápida para ocultar o destino final de grandes somas de dinheiro ou para limpar capitais ilícitos.

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A Reag Investimentos, administradora do fundo Arleen, teve sua liquidação decretada pelo Banco Central na última quinta-feira (15). A Reag é suspeita de atuar como braço operacional do Banco Master em esquemas de fraudes financeiras.


Conexões Políticas e o Resort Tayayá

O resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR), tem sido foco de diversas reportagens devido aos seus proprietários originais. Em 2020, os irmãos de Dias Toffoli, José Carlos e José Eugênio, adquiriram 33% do empreendimento.

O Conflito de Interesses:

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  • Dias Toffoli é o relator no STF do caso que envolve o Banco Master.

  • Suas decisões recentes têm sido questionadas, como a redução drástica do prazo (de 6 para 2 dias) para que a PF tome depoimentos de investigados, o que, para especialistas, pode comprometer o aprofundamento das oitivas.

Offshore: O Labirinto do Dinheiro

A Egide I Holding foi aberta em março de 2025, poucos meses antes de receber os milhões do fundo Arleen. Segundo o portal i-BVI, não há registros públicos sobre quem são os beneficiários finais da empresa. A CVM destaca uma irregularidade técnica: a Arleen comprou ações da offshore por R$ 11,5 milhões, quando o valor de mercado desses ativos era estimado em apenas R$ 1,9 milhão. Na prática, o fundo pagou caro por algo que valia pouco, apenas para transferir o saldo remanescente para o exterior.

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O que dizem os envolvidos

  • Defesa de Daniel Vorcaro: Afirma que o banqueiro não possui qualquer envolvimento com as operações dos fundos citados e classifica as associações como falsas.

  • Reag Investimentos: Declarou que não irá se manifestar sobre a liquidação ou sobre o fundo Arleen.

  • Família Toffoli: O ministro Dias Toffoli, seus irmãos e seu primo (também ex-sócio do resort) foram procurados, mas não enviaram resposta até o momento.

  • Paulo Humberto Barbosa: O advogado goiano, atual controlador do resort, também não se manifestou.


Análise Técnica: A transferência de ativos para offshores logo após uma valorização atípica é considerada um "red flag" (bandeira vermelha) por órgãos de controle como o COAF, pois dificulta a repatriação de valores e a identificação de lavagem de dinheiro.

*Com Informações do SBT News.

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