BUENOS AIRES e BRASÍLIA – A Direção Nacional de Migrações da Argentina comunicou oficialmente nesta terça-feira (27) que não possui qualquer registro de entrada do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no território argentino. A nota oficial do governo vizinho foi emitida para desmentir informações que circulavam na imprensa internacional sobre uma suposta travessia da fronteira por parte do parlamentar para embarcar em um jato executivo com destino aos Estados Unidos.
A movimentação gerou alerta e fez com que a Polícia Federal brasileira acionasse preventivamente as autoridades de fronteira da Argentina. Em paralelo, verificações nos postos regulares de controle migratório no Brasil também indicaram que o senador não havia registrado saída oficial do país.
Fiscalização de aeronave privada em Puerto Iguazú
De acordo com o comunicado das autoridades argentinas, a repercussão de notícias sobre a presença de uma aeronave particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, localizado na província de Misiones (fronteiriça com Foz do Iguaçu, no Paraná), levou a uma fiscalização imediata no local.
Agentes federais realizaram a checagem do avião e a identificação de toda a tripulação presente. A verificação constatou que a documentação da empresa proprietária estava totalmente regularizada e que não existia nenhum plano de voo registrado que incluísse o senador ou qualquer outro membro da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A Direção Nacional de Migrações não registra qualquer entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina”, reiterou a instituição em trecho da nota oficial.
Origem dos rumores e impasse com a aviação civil
As suspeitas de uma possível viagem internacional ganharam força após uma publicação do portal de notícias argentino Infobae. Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro teria cruzado a ponte internacional apresentando sua carteira de identidade e se dirigido ao aeroporto de Puerto Iguazú.
A publicação detalhava que o voo seria realizado em um jato executivo modelo Gulfstream, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa de táxi aéreo Baires Fly S.A. A solicitação alfandegária e migratória previa o embarque de quatro passageiros e três tripulantes, com decolagem agendada para as 2h da manhã desta terça-feira, tendo como destino a cidade de Miami, nos Estados Unidos.
Veículos de imprensa locais, como a Rádio Cataratas, informaram que o avião havia chegado de Buenos Aires às 23h42 de segunda-feira (26), procedente do Aeroparque Jorge Newbery. A aeronave ficou retida em solo por mais de nove horas após a Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) da Argentina não conceder a autorização de decolagem, o que teria provocado discussões técnicas entre o comandante e os fiscais no pátio do aeroporto.
Apesar dos relatos sobre o atraso operacional da aeronave, o porta-voz da Presidência da Argentina, Fabián Fernández, também já havia negado categoricamente à agência Bloomberg que o parlamentar tivesse ingressado no país ou que qualquer voo com tais características tivesse decolado rumo ao território norte-americano.
Contexto: Decisão judicial do STF e entrega de passaporte
O rumor sobre a tentativa de saída do país ocorreu em meio ao desdobramento de recentes decisões judiciais no Brasil. Na segunda-feira (26), o próprio senador Flávio Bolsonaro divulgou em suas redes sociais ter sido abordado por agentes da Polícia Federal em Brasília para ser notificado de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A determinação judicial exigiu a entrega imediata dos seus passaportes (comum e diplomático) e impôs a proibição expressa de se ausentar do país.
A medida cautelar foi comunicada no contexto de investigações em andamento que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao financiamento de uma produção cinematográfica biográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, além de transações e vínculos financeiros sob apuração envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.