SÃO PAULO — A Bolsa de Valores brasileira (B3) opera sob forte estresse e intensa volatilidade no primeiro pregão após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das Eleições 2026. A reação dos investidores ao resultado do pleito provocou uma onda vertiginosa de vendas de ativos nacionais, levando o índice Ibovespa a registrar queda superior a 16% logo nos primeiros minutos de negócios nesta segunda-feira (26).
A gravidade do movimento forçou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker às 9h57, paralisando temporariamente todas as negociações por 30 minutos. Esta é a primeira vez que o instrumento de contenção de emergência é utilizado desde março de 2020, ápice das incertezas globais deflagradas pela pandemia de Covid-19. As operações foram retomadas às 10h27, mas o movimento de forte desvalorização persistiu ao longo da manhã.
Setor financeiro lidera perdas na B3
Os papéis das principais instituições financeiras e plataformas de investimentos com atuação concentrada no mercado doméstico lideram as perdas do índice. A reação reflete a repaginação de posições por parte de fundos e investidores institucionais, que passaram a projetar uma combinação de maior pressão fiscal, elevação da taxa básica de juros (Selic) por período prolongado e revisão do prêmio de risco país.
Entre os maiores destaques negativos do pregão até o final da manhã desta segunda-feira, destacam-se:
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XP Inc.: derrocada de 47,41%, figurando na liderança das perdas do pregão.
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BTG Pactual: forte queda de 37,36%, refletindo o ajuste de ativos de renda variável e investimentos.
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Banco do Brasil: recuo de 31,35%, puxando a baixa entre as estatais.
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Bradesco: desvalorização expressiva de 24,55%.
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Itaú Unibanco: recuo de 15,63%.
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Santander Brasil: variação negativa de 4,50%.
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Reversão de expectativas e contexto político
A forte correção do mercado financeiro ocorre após um encerramento de semana de relativa estabilidade. Na última sexta-feira (23), antevéspera da votação, o Ibovespa havia fechado aos 205.082,56 pontos, registrando leve alta de 0,47%.
O resultado das urnas neste domingo (25), contudo, redefiniu o cenário político do país. Lula superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma virada inédita desde a redemocratização, garantindo o direito de permanecer à frente do Palácio do Planalto por mais quatro anos a partir de 2027. Analistas de mercado apontam que os discursos do presidente reeleito sobre a expansão do gasto público, a regulamentação de setores estratégicos e o novo formato de governança intensificaram o movimento de aversão ao risco na abertura dos negócios.