O Governo do Estado de São Paulo anunciou o lançamento oficial do Batalhão de Resposta Avançada Operacional (BRAvO), uma nova divisão ostensiva e tática da Polícia Militar estruturada para combater modalidades criminosas no trânsito e em vias públicas de grande fluxo. O ato de apresentação ocorreu na Avenida Paulista, cartão-postal e um dos principais alvos de delitos urbanos na região central da capital.
O lançamento não contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, sendo conduzido pelo cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e do comando da Polícia Militar.
Estrutura operacional, motos e uso de fuzis na garupa
A nova tropa nasce com um contingente inicial de 250 policiais militares e uma frota dedicada de 150 motocicletas. O formato foi desenhado para garantir rapidez de deslocamento e alta capacidade de manobra no trânsito denso das grandes cidades, além de viabilizar incursões em vias estreitas, periferias e comunidades de difícil acesso.
Entre as novidades operacionais do batalhão, destacam-se:
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Emprego de fuzis por policiais na garupa: Os agentes na posição de garupa das motocicletas atuarão armados com fuzis, aumentando o poder de reação e dissuasão em ocorrências de alto risco.
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Câmeras corporais obrigatórias: Todo o efetivo em patrulhamento utilizará Câmeras Operacionais Individuais (COIs) ativas durante os turnos de trabalho, garantindo transparência, registro em áudio e vídeo de abordagens e segurança jurídica para as ações.
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Policiamento dinâmico: Capacidade de rápido bloqueio de vias, fiscalização de motocicletas suspeitas e patrulhamento tático ostensivo.
Direcionamento por inteligência: o sistema Muralha Paulista
O emprego das equipes do BRAvO não seguirá rotas aleatórias de patrulhamento. A alocação das tropas nas ruas será guiada diretamente pelo Muralha Paulista, o sistema integrado de inteligência e monitoramento do Governo do Estado. A plataforma cruza estatísticas de boletins de ocorrência, manchas criminais e indicadores em tempo real para identificar cruzamentos e horários de maior incidência de roubos e furtos.
"O BRAvO transforma informação em ação policial. A inteligência nos ajuda a identificar onde o crime está acontecendo, e a mobilidade permite colocar rapidamente policiais preparados nesses pontos. É uma estrutura pensada para ampliar a presença do Estado e a capacidade de resposta onde ela é mais necessária", afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
A comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Cavalli, ressaltou a versatilidade de atuação do novo batalhão em cenários de alta complexidade.
"As equipes poderão ser empregadas em patrulhamento ostensivo, abordagens, bloqueios, fiscalizações e intervenções de maior complexidade, conforme o planejamento operacional. É a reunião de policiamento preventivo, apoio tático e atuação especializada", destacou a comandante-geral.
Foco no combate a crimes com motocicletas e furto de celulares
A criação da tropa especializada busca conter dois tipos de crimes que se multiplicaram no estado nos últimos anos:
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Falsos entregadores: Criminosos que utilizam mochilas de aplicativos de entrega para se aproximar de pedestres, motoristas e comércios sem levantar suspeita antes de anunciar o assalto.
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Gangues do quebra-vidro: Grupos operando em motocicletas ou a pé que surpreendem motoristas parados no trânsito ou em semáforos, quebrando os vidros dos veículos para subtrair smartphones e pertences pessoais.
Com a agilidade das motocicletas, o BRAvO projeta reduzir o tempo de resposta entre a chamada no centro de operações e a chegada da equipe ao local do delito, dificultando rotas de fuga em meio ao tráfego urbano.
Contexto eleitoral e diretrizes de governo
A segurança pública figura no topo das preocupações do eleitorado paulista e ocupa espaço central nos debates políticos. A implementação do BRAvO atende a uma das metas previstas no plano de governo protocolado por Tarcísio de Freitas na Justiça Eleitoral.
No documento, a unidade tática sobre duas rodas aparece integrada ao projeto do Centro de Inteligência e Inovação 24 Horas, cujo objetivo é interligar bancos de dados e sistemas de informação de todas as forças policiais do estado.
O programa de governo formaliza a justificativa estratégica da nova divisão:
"Teremos mais tecnologia e inteligência para fortalecer a presença territorial, com policiamento ostensivo, criação de equipes táticas de atuação matricial e batalhão especializado de motocicletas, atendendo à transformação da dinâmica urbana das últimas décadas, em momentos com grande deslocamento de pessoas, nos parques, comunidades e ambientes de difícil acesso."