Dono do Banco Master promete confissão pública e prepara delação com provas contra cúpula do governo

Preso desde março, o empresário e controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, articula uma nova investida que promete sacudir a cúpula dos Três Poderes. Segundo informações divulgadas pela coluna Radar, da revista VEJA, nesta sexta-feira (4), o banqueiro avisou a interlocutores familiares que planeja fazer uma “confissão pública” das supostas irregularidades e esquemas dos quais participou.

A movimentação ocorre após episódios de forte tensão institucional. Antes mesmo de acionar formalmente o gabinete do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF), acusando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de obstrução de Justiça e ameaças, Vorcaro já demonstrava disposição para um rompimento definitivo. A interlocutores, o empresário afirmou que sua intenção atual é “explodir todo o sistema” e “passar a República a limpo”.

Provas materiais e dados do exterior

A grande diferença desta nova tentativa de colaboração está no conjunto probatório que sua equipe jurídica vem reunindo. De acordo com os bastidores revelados:

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  • Provas digitais: A defesa trabalha com a extração e cruzamento de dados de múltiplos aparelhos celulares e mensagens trocadas com autoridades e figuras influentes.

  • Rastro financeiro: A proposta inclui relatórios de inteligência financeira e documentos de movimentações bancárias no exterior.

  • Verificabilidade: O material busca ir além da simples palavra de um investigado em busca de benefícios penais, oferecendo elementos objetivos, rastreáveis e passíveis de perícia.

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Alvo no núcleo do governo

Em depoimento gravado em 27 de agosto no gabinete do ministro Mendonça, Vorcaro já havia antecipado o tom de suas denúncias. Na ocasião, o banqueiro afirmou que suas revelações atingem diretamente integrantes do "núcleo do atual governo" e envolvem episódios em que, segundo ele, foram ultrapassadas "linhas de moralidade e de ilicitude". Vorcaro declarou ainda sofrer pressões por parte de pessoas com alto poder político e econômico que buscam impedir suas declarações.

Filtros institucionais e o caminho da apuração

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Tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) já rejeitaram propostas anteriores de acordo feitas pela defesa do empresário. Diante dos sucessivos travamentos nas vias convencionais, Vorcaro agora ameaça ultrapassar as instâncias formais e expor publicamente o conteúdo de suas acusações.

Até o momento, não há qualquer acordo de delação premiada assinado ou homologado pela Justiça, e os documentos citados não foram tornados públicos. O rito legal estabelece que nenhuma acusação pode ser tomada como fato consumado sem a devida checagem. Contudo, analistas apontam que a gravidade das alegações exige a preservação rigorosa do material, auditoria independente e investigação transparente. Se os arquivos forem abertos, as apurações poderão revelar a real extensão do alcance do Banco Master nos bastidores do poder.

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