BELO HORIZONTE – O cenário político em Minas Gerais ganhou novos contornos nesta reta final do calendário eleitoral. O diretório estadual do Republicanos-MG deliberou, em reunião extraordinária realizada pela Comissão Provisória Estadual, que ainda não abriu mão de lançar uma candidatura própria e isolada ("chapa pura") ao Governo de Minas Gerais, tendo como nome prioritário o do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Embora o prazo para a realização das convenções partidárias já tenha se encerrado, a legislação eleitoral permite que os partidos efetuem o registro oficial de suas chapas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até as 19h do dia 15 de agosto. É nessa janela que o Republicanos mineiro tenta articular uma cartada final.
Ata concede superpoderes a Euclydes Pettersen
Conforme consta no documento oficial registrado pela legenda, a comissão estadual autorizou formalmente o presidente do partido em Minas, o deputado federal Euclydes Pettersen, a decidir de forma monocrática sobre a formação de uma chapa isolada para disputar os cargos de governador, vice-governador e senador.
A ata mantém viva a aspiração do partido de concorrer ao Palácio Tiradentes utilizando a força popular de Cleitinho Azevedo ou, alternativamente, o nome do ex-prefeito de Patos de Minas, Luiz Eduardo Falcão (Republicanos).
Essa articulação em Minas ocorre em contraponto à declaração do presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira (SP), que havia sinalizado o recuo da pré-candidatura do senador devido às sucessivas indefinições sobre o projeto estadual. Desde então, Cleitinho e interlocutores do diretório mineiro trabalham nos bastidores para reverter o veto e viabilizar a entrada do parlamentar no pleito majoritário.
PL reage e lança Flávio Roscoe na disputa
A hesitação do grupo ligado a Cleitinho acabou provocando uma importante movimentação no Partido Liberal (PL) em Minas Gerais. Após aguardar uma definição do senador até esta quarta-feira (5), a cúpula do PL fechou o alinhamento com a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e confirmou o nome de Flávio Roscoe (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), como candidato da sigla ao Governo de Minas.
Com a decisão do PL de ter candidato próprio, a hipotética aliança entre os dois partidos de direita no estado foi desfeita, empurrando o Republicanos para a necessidade de um projeto isolado se quiser encabeçar a disputa.
Cenário para o Senado permanece em aberto
Além da disputa pelo Poder Executivo estadual, a ata aprovada pelo Republicanos-MG deixou caminhos abertos para as duas vagas ao Senado Federal. O documento autoriza Euclydes Pettersen a decidir se o partido lançará um ou dois candidatos próprios ao Senado ou se coligará informalmente apoiando nomes vindos de outras legendas.
As próximas horas e dias que antecedem a data limite de 15 de agosto serão decisivas para definir se a direita mineira marchará pulverizada na corrida pelo governo mineiro ou se novas composições de última hora alterarão o tabuleiro eleitoral no estado.