BRASÍLIA – O Partido Liberal (PL) formalizou, nesta quarta-feira (5), a indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as Eleições Presidenciais de 2026. O anúncio foi feito na sede nacional da legenda, em Brasília, e sela uma "chapa pura" do PL no pleito nacional.
A escolha de Gaspar encerra semanas de negociações e representa uma mudança na estratégia inicial do pré-candidato do PL. Flávio Bolsonaro buscou publicamente construir uma aliança com outros partidos de centro-direita — em especial o Progressistas (PP) e o Republicanos — e sinalizou por diversas vezes o desejo de ter uma mulher como companheira de chapa.
Com a indicação para a vice, Alfredo Gaspar retira sua pré-candidatura ao Senado por Alagoas, onde disputaria uma acirrada corrida contra os senadores Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP).
Discurso de lealdade e aceno ao Nordeste
Em seu primeiro pronunciamento após a oficialização, Alfredo Gaspar adotou um tom de lealdade e gratidão, citando a liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha.
"O Brasil estaria muito melhor servido com as senhoras, mas quis Deus e o destino que este momento trouxesse um soldado do Nordeste. Um soldado que honrou a sua história com trabalho e dignidade. Alguém simples, mas que está pronto para a luta, alguém que tem boa fé, sabe o tamanho da responsabilidade. Terei lealdade e gratidão" — Alfredo Gaspar, deputado federal (PL-AL).
Presença de cotados e resistência de partidos da base
O evento na sede do PL reuniu figuras de destaque que figuraram entre os cotados para ocupar o posto de vice na chapa. Marcaram presença a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniela Marques (Republicanos).
Apesar da presença de quadros influentes do PP e do Republicanos, as legendas não fecharam apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro no âmbito nacional. O pretenso candidato reconheceu a frustração de não ter garantido coligações formais, o que limitará seu tempo de televisão e rádio durante a propaganda eleitoral gratuita, mas comemorou o apoio individual de líderes dessas siglas.
"É óbvio que batalhei muito para que tivéssemos o tempo de televisão, as inserções, com outros partidos aderindo formalmente à nossa chapa nacional, mas isso não foi possível. E vejam como a representatividade de todos esses partidos, seus principais quadros, as pessoas que ajudaram a construir esse partido estão caminhando conosco" — Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.
Ataques à gestão do Governo Federal
Durante o ato político, Flávio Bolsonaro elevou o tom das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao governo federal, utilizando denúncias recentes para desqualificar a gestão adversária.
O pré-candidato mencionou investigações envolvendo ex-integrantes da assessoria do governo federal e fraudes no sistema previdenciário:
"O próprio Marcola do Lula está sendo acusado de receber dinheiro que provavelmente veio do desvio do INSS. Talvez a coisa mais hedionda que pode ter acontecido nos últimos anos, nas últimas décadas no nosso País, foi um governo corrupto que não respeitou nem os aposentados", afirmou o senador carioca durante o evento.
Com a definição da vice, a chapa do PL entra agora na fase final de homologação nas convenções partidárias e estruturação das agendas de campanha pelo país.