A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), trouxe à tona detalhes robustos que colocam o senador Jaques Wagner (PT-BA) no centro de uma investigação sobre suposto tráfico de influência e corrupção. Relatórios da Polícia Federal (PF), baseados em dados extraídos do celular do empresário Augusto Lima — ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master —, descrevem o senador como um “interlocutor relevante” que teria utilizado seu poder político para favorecer os interesses da instituição financeira.
O "Modus Operandi" no Congresso
Segundo os investigadores, a relação entre o senador e o empresário não era meramente social ou casual, mas "funcionalmente direcionada". A PF mapeou um fluxo constante de informações sobre temas sensíveis ao Banco Master, incluindo:
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A "Emenda Master": Proposta que visava elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A medida beneficiaria diretamente a estratégia de captação do banco. A PF destaca que o senador manteve contato intenso com Augusto Lima nos dias de apresentação da emenda, que foi formalizada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), também sob investigação por sua "relação instrumental" com Vorcaro.
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Crédito Consignado: Wagner é citado por sua atuação na Emenda nº 30 à Medida Provisória nº 1.106/2022. Para a PF, a movimentação do senador ocorreu em momento suspeito, próximo ao início de relações contratuais entre o Banco Master e a BN Financeira Ltda., empresa ligada ao círculo familiar de Wagner.
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Negociações do BRB: Documentos mostram que o senador foi informado sobre os detalhes da tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A PF interpreta diálogos interceptados como evidência de que Wagner não era apenas um destinatário de informações, mas um facilitador estratégico para o grupo econômico.
O Elo Financeiro: BN Financeira e Credcesta
Um dos pontos de maior atenção da PF é o repasse de R$ 3,5 milhões da PKL One (associada a Augusto Lima) para a BN Financeira, ligada ao núcleo familiar de Jaques Wagner. A conexão também passa pelo "Credcesta", plataforma de cartão de crédito criada após tratativas que remontam à época em que o petista era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia. A polícia investiga se esses valores seriam contrapartidas por decisões políticas tomadas pelo parlamentar.
O outro lado: Defesa do Senador
Em nota oficial e em entrevista à BandNews, o senador Jaques Wagner rechaçou as acusações. Ele argumentou que:
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Relações Institucionais: Afirmou que seu contato com empresários e outros senadores, como Ciro Nogueira, é inerente ao exercício do cargo de líder do governo, negando qualquer conluio ilícito.
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Posicionamento do Governo: Destacou que o governo federal, sob sua liderança, posicionou-se contra o aumento da garantia do FGC, o que, segundo ele, contradiz a tese de que estaria atuando a favor do Banco Master nesta matéria específica.
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Origem dos Valores: Sobre o dinheiro em espécie apreendido em hotéis e apartamentos, a defesa alegou tratar-se de "diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais".
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Situação Processual: O senador enfatizou que não é réu e não foi formalmente denunciado.
A Polícia Federal segue analisando o material apreendido — que inclui dispositivos eletrônicos e documentos — para identificar a extensão dos benefícios indevidos, que, segundo a representação policial, teriam incluído desde um apartamento de luxo em Salvador até ingressos para shows internacionais de alto valor.
O caso permanece sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF), e a expectativa é que novos depoimentos sejam colhidos nas próximas semanas para determinar a profundidade do envolvimento do líder do governo no suposto esquema.