Por: Redação do Portal de Notícias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a ser alvo de críticas por parte de entidades ligadas à segurança pública após declarações polêmicas sobre o fluxo de devolução de aparelhos celulares roubados e o perfil de quem adquire produtos de origem ilícita. Durante uma discussão sobre a logística de restituição de bens, o mandatário sugeriu que o medo das vítimas em procurar as delegacias seria motivado por desconfiança na figura do delegado.
Desconfiança institucional
Ao defender a devolução de celulares recuperados pela polícia via Correios, Lula argumentou que o cidadão, muitas vezes, evita o contato direto com as autoridades policiais. Segundo o presidente, as vítimas teriam receio do "tipo de delegado" ou policial que iriam encontrar ao registrar a ocorrência ou buscar o aparelho.
A declaração gerou um repúdio imediato da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol). Em nota oficial, a entidade classificou as falas como "inadequadas, injustas e descontextualizadas". A associação pontuou que generalizações dessa natureza fragilizam a relação de confiança entre a sociedade e as instituições de segurança pública, além de desvalorizar o trabalho das carreiras de estado que atuam no combate à criminalidade.
A associação entre pobreza e receptação
Outro ponto que provocou forte reação foi a reflexão de Lula sobre o mercado de receptação de produtos roubados. Ao comentar a preferência do consumidor por preços baixos, o presidente declarou: "Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata? Todo mundo gosta". Na sequência, associou essa prática à população de baixa renda.
A Frente Parlamentar da Segurança Pública criticou duramente o tom do discurso. Parlamentares que compõem o grupo classificaram a associação feita pelo chefe do Executivo como preconceituosa e genérica. Para o colegiado, vincular a população mais pobre ao crime de receptação é incompatível com os princípios de dignidade humana e ignora a complexidade do problema da criminalidade no país.
Histórico de atritos com a corporação
As falas recentes somam-se a uma série de episódios que tensionam a relação entre o governo atual e as forças de segurança. Em ocasiões anteriores, o presidente já havia provocado debate ao criticar agentes fora da corporação, sob a alegação de que estariam "fingindo trabalhar". Além disso, o mandatário defendeu publicamente que a polícia, em suas operações diárias, não deve "confundir pessoas pobres com bandidos".
Enquanto o Planalto mantém a postura de que as falas visam proteger a dignidade da população vulnerável e melhorar o atendimento ao cidadão, as entidades de classe reforçam que tais críticas públicas minam a moral e a eficácia das polícias no enfrentamento aos índices de criminalidade.