BELO HORIZONTE (MG) – Em uma operação histórica que redesenha o mapa da infraestrutura e dos serviços públicos no Brasil, o controle acionário da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi oficialmente transferido para a iniciativa privada. O processo de desestatização foi concluído nesta segunda-feira, 16 de junho de 2026, consolidando o Grupo Equatorial como o novo operador estratégico do sistema de água e esgoto dos mineiros.
A venda do controle da estatal mineira ocorreu em um pregão de alta repercussão na B3, a Bolsa de Valores do Brasil, e marca o fim de uma era de controle majoritário do Estado sobre uma das companhias mais valiosas de Minas Gerais.
Os números e os detalhes da operação na Bolsa
A engenharia financeira que sacramentou a privatização envolveu cifras bilionárias e um modelo de governança corporativa desenhado para atrair investimentos privados imediatos:
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Participação Adquirida: O Grupo Equatorial comprou exatamente 30% do capital votante e total da Copasa. Essa fatia, embora não represente a totalidade das ações, confere ao grupo o papel de acionista de referência com controle estratégico, garantindo o direito de indicar os membros da diretoria executiva e a maioria do conselho de administração.
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Valor da Transação: A venda movimentou a expressiva cifra de R$ 8,38 bilhões.
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Preço por Ação: Os papéis da companhia mineira foram liquidados pelo valor de R$ 49,03 cada.
O nascimento de um gigante nacional do saneamento
O movimento da Equatorial em Minas Gerais não é um fato isolado, mas parte de uma agressiva estratégia de expansão no mercado de utilidades públicas. Em 2024, o mesmo conglomerado já havia vencido o leilão e assumido o controle da Sabesp, a companhia de saneamento do estado de São Paulo.
Com a unificação do comando da Sabesp e da Copasa sob o mesmo teto corporativo, o Grupo Equatorial passa a gerenciar as duas maiores empresas de água e esgoto do hemisfério sul. Na prática, a holding se transforma no maior player privado de saneamento do Brasil, detendo uma fatia de mercado sem precedentes e gerando forte expectativa sobre sinergias operacionais e poder de barganha junto a fornecedores.
O que muda para o consumidor e para os municípios?
A principal dúvida da população e das prefeituras mineiras atendidas pela estatal gira em torno do impacto prático nas tarifas, no cronograma de obras e nas metas de universalização da água e do tratamento de esgoto.
O contrato de desestatização prevê metas rígidas de investimentos para cumprir o Marco Legal do Saneamento, o que deve acelerar obras em regiões periféricas e pequenas localidades do interior que hoje sofrem com a falta de rede de esgoto. Por outro lado, as agências reguladoras estaduais terão o papel fiscalizador de garantir que a busca por eficiência da nova gestão privada não resulte em reajustes abusivos nas contas de água dos consumidores.
Para acompanhar de perto os desdobramentos contratuais, a transição administrativa e os impactos diretos nas tarifas do seu município, os cidadãos podem consultar os canais e comunicados oficiais disponibilizados no portal institucional da Copasa ou acompanhar os decretos de transição publicados pelo Governo do Estado de Minas Gerais.