BRASÍLIA – O cenário político nacional assistiu, nesta semana, a um fenômeno de crescimento digital que pode redesenhar as estratégias para a corrida presidencial de 2026. A disputa pública entre o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, transformou-se em um poderoso combustível eleitoral para o mineiro.
De acordo com levantamento da consultoria Bites, especializada em análise de dados, Zema viu sua base de seguidores saltar em 494 mil novas pessoas em apenas sete dias. O crescimento é visto por analistas como uma "conversão de conflito institucional em ativo político".
Domínio nas Redes: Zema atropela adversários
O desempenho de Zema nas redes sociais deixou para trás outros nomes fortes da política brasileira. Enquanto o ex-governador de Minas surfava na polarização, seus possíveis concorrentes registraram crescimentos significativamente menores:
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Renan dos Santos (Missão): +129 mil seguidores;
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Flávio Bolsonaro (PL): +114 mil seguidores;
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Lula (PT): +39 mil seguidores;
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Ronaldo Caiado (PSD): +1.900 seguidores.
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Mais do que o número de seguidores, o que impressiona é o engajamento. Zema alcançou a marca de 7,7 milhões de interações (curtidas, comentários e compartilhamentos). O número é quase o dobro do registrado pelo presidente Lula (3,9 milhões) e supera com folga o senador Flávio Bolsonaro (3,7 milhões).
O Estopim: De "Os Intocáveis" ao Inquérito das Fake News
A crise começou após Zema publicar um vídeo satírico intitulado “Os Intocáveis”. No material, fantoches caricatos representavam os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes em um suposto diálogo sobre anulação de quebras de sigilo em troca de favores em um resort de luxo.
A reação do Judiciário foi imediata. Gilmar Mendes classificou o vídeo como um ataque à honra do STF e solicitou ao ministro Alexandre de Moraes que incluísse Zema no Inquérito das Fake News. Mendes argumentou que o material simulava diálogos inexistentes para difamar a corte.
Efeito Rebote e Consolidação de Candidatura
Em vez de recuar, Zema dobrou a aposta. Durante a semana, o pré-candidato publicou pelo menos 14 vídeos criticando o que chamou de “farra dos intocáveis”. A estratégia surtiu efeito político interno: a pressão dentro do Partido Novo para que ele aceitasse ser vice em uma chapa encabeçada pelo PL diminuiu drasticamente, consolidando sua imagem como cabeça de chapa.
Manoel Fernandes, diretor executivo da Bites, observa que o sucesso de Zema pode servir de modelo para outros candidatos. "O resultado pode estimular novos ataques ao STF como uma plataforma eleitoral na busca por votos", afirma Fernandes em nota técnica.
Desdobramentos e Polêmicas
O embate também gerou desgastes para o ministro Gilmar Mendes. Em uma série de entrevistas para defender o STF contra a "indústria de difamação", o ministro utilizou uma analogia considerada homofóbica ao citar a hipótese de um "boneco homossexual" de Zema. Após a repercussão negativa, Mendes veio a público pedir desculpas.
No campo parlamentar, a oposição aproveitou o momento. O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) protocolou um pedido de impeachment contra Mendes, alegando abuso de autoridade ao solicitar a investigação de Zema por uma peça de humor e crítica política.
Análise Final
Para a consultoria Bites, a resposta do STF acabou conferindo a Zema a "legitimidade de perseguido" que muitos políticos buscam para mobilizar bases digitais. Ao transformar um processo jurídico em um evento midiático, Zema não apenas aumentou sua audiência, mas provou ter tração digital suficiente para se manter como protagonista no tabuleiro de 2026.