ORLANDO, FLÓRIDA – O ex-deputado federal Alexandre Ramagem utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira (16) para se manifestar publicamente sobre sua recente detenção em solo americano. Em um discurso marcado por duras críticas às instituições brasileiras, o ex-parlamentar buscou desmentir rumores de ilegalidade e posicionou-se como vítima de um processo de "perseguição transnacional".
Situação Migratória e "Soltura Administrativa"
Ramagem fez questão de detalhar os pormenores de sua permanência nos Estados Unidos, país onde reside desde setembro de 2023. Segundo ele, sua presença em território americano é "perfeitamente regular", sustentada por um pedido formal de asilo político protocolado logo após sua chegada.
O ex-deputado enfatizou que sua liberação pelas autoridades migratórias ocorreu de forma administrativa e, crucialmente, sem o pagamento de fiança.
"A ausência de fiança e a soltura imediata provam, por si só, que não há qualquer irregularidade migratória ou prática criminal em solo americano", declarou o político, reforçando que seu endereço residencial é de pleno conhecimento das autoridades locais.
Embate Direto: "Polícia de Jagunços"
O ponto mais agudo do pronunciamento foi o ataque direto à atual gestão da Polícia Federal brasileira. Ramagem elevou o tom contra o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, utilizando termos pesados para descrever o atual estado da instituição que ele mesmo já chefiou (Abin).
Ele classificou a cúpula da PF como uma "polícia de jagunços", acusando-a de ter sido instrumentalizada para fins políticos. Ramagem citou episódios recentes de restrição de acesso a inquéritos por parte do Judiciário como evidência de que os direitos de defesa estariam sendo cerceados em prol de uma narrativa persecutória contra opositores do atual governo.
Alinhamento Político e Tese de Lawfare
Ao encerrar sua fala, o ex-parlamentar reforçou seus laços com a base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele agradeceu publicamente o suporte recebido de figuras como o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o influenciador Allan dos Santos, também residente nos EUA.
Ramagem estabeleceu um paralelo direto entre sua situação e a dos detidos pelos atos de 8 de janeiro, sustentando a tese de que o Brasil atravessa um período de "lawfare" — o uso estratégico de instrumentos jurídicos para fins de perseguição política.
Apesar da pressão internacional e dos processos que enfrenta no Brasil, o político reiterou que não pretende recuar de sua atuação pública, afirmando que continuará denunciando o que chama de "abusos de autoridade" cometidos contra aliados da direita brasileira.