BRASÍLIA – A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a 4ª fase da Operação Compliance Zero. A ação culminou na prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A operação mira um sofisticado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que teria permeado as negociações de aquisição de ativos entre o banco público brasiliense e o Banco Master.
O Fluxo da Propina e o Mercado Imobiliário
Segundo relatórios enviados pela PF ao STF, as investigações identificaram um suposto fluxo de vantagens indevidas destinadas a Paulo Henrique Costa. O esquema teria sido operacionalizado através da compra e venda de imóveis de luxo, estratégia utilizada para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Os valores seriam contrapartidas pela facilitação de negócios entre o BRB e o Banco Master, incluindo a tentativa de aquisição do Master pela instituição pública e a compra de carteiras de crédito classificadas como fraudulentas.
"Sustentação Jurídica" e Novas Prisões
Além de Costa, o advogado Daniel Monteiro também foi preso preventivamente nesta quinta-feira. Os investigadores apontam que Monteiro atuava como uma peça-chave na engenharia financeira e jurídica do grupo, dando "sustentação legal" para viabilizar as transações escusas comandadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro — que já se encontra preso desde o início de março.
Reações e Defesas
A prisão de Paulo Henrique Costa gera forte impacto político. Indicado ao cargo em 2019 pelo então governador Ibaneis Rocha (MDB), Costa já estava afastado da presidência desde novembro de 2025, após a primeira fase da operação.
Em nota oficial, a defesa de Ibaneis Rocha declarou:
"O ex-governador não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas pelas referidas instituições financeiras. A existência de notas técnicas corrobora que as decisões eram internas às instituições."
Já a atual gestão do Governo do Distrito Federal (GDF), sob o comando da governadora Celina Leão, afirmou que a prisão é de competência estrita do Judiciário e reafirmou o compromisso com a transparência e a colaboração com as instâncias federais.
O Colapso do Banco Master
O pano de fundo da prisão de hoje remete à crise de liquidez que levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master e de suas subsidiárias (incluindo o Letsbank e a corretora do grupo) em novembro de 2025.
Na época, o BC justificou a medida citando:
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Grave crise de liquidez;
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Comprometimento da situação econômico-financeira;
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Violações sistêmicas às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O que acontece agora?
Os presos passarão por audiência de custódia, enquanto a Polícia Federal analisa o material apreendido nos sete mandados de busca e apreensão cumpridos entre o Distrito Federal e São Paulo. O processo segue sob sigilo parcial no STF, sob a relatoria do ministro André Mendonça.