O esporte mundial está em luto nesta sexta-feira (17). Oscar Schmidt, o eterno "Mão Santa", faleceu aos 68 anos após sofrer um mal-estar súbito em sua residência. A notícia da partida do maior ídolo do basquete nacional foi confirmada oficialmente por sua assessoria de imprensa, gerando uma onda de comoção entre atletas, fãs e autoridades ao redor do globo.
Os Últimos Momentos e a Luta pela Vida
Oscar começou a se sentir mal no início do dia e foi prontamente encaminhado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), localizado em São Paulo. Apesar da agilidade no atendimento e dos esforços da equipe médica, o ex-atleta não resistiu.
A saúde de Oscar era um tema que gerava admiração e preocupação há anos. Desde 2011, ele travava uma batalha pública e resiliente contra um tumor cerebral. Ao longo de 15 anos, passou por diversas cirurgias e tratamentos rigorosos. Em 2022, em uma demonstração de serenidade e coragem que marcou o país, Oscar anunciou que havia decidido interromper as sessões de quimioterapia: "Eu decidi parar. Não quero mais esse tratamento que me deixa mal", disse na época, optando por desfrutar a vida ao lado de seus familiares.
Um Fenômeno das Quadras: Recordes e Números
Nascido em Natal (RN), Oscar Schmidt não apenas jogou basquete; ele redefiniu os limites do que um arremessador era capaz de fazer. Durante 25 temporadas profissionais, ele construiu marcas que, até hoje, parecem inalcançáveis:
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O Segundo Maior de Todos os Tempos: Com uma precisão cirúrgica, acumulou 49.703 pontos na carreira, ocupando por décadas o posto de maior pontuador da história do esporte (contabilizando clubes e seleção), sendo superado recentemente apenas por LeBron James.
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Soberano nas Olimpíadas: Disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos (Moscou-1980 a Atlanta-1996). É o maior cestinha da história da competição com 1.093 pontos.
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O Recorde de Seul: Nas Olimpíadas de 1988, contra a Espanha, ele anotou 55 pontos em uma única partida — marca que permanece como o recorde absoluto de pontos em um jogo olímpico.
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O Milagre de Indianápolis (1987)
Embora tenha acumulado títulos por onde passou, o capítulo mais glorioso da trajetória de Oscar com a camisa da Seleção Brasileira foi a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987.
Naquela final histórica, o Brasil enfrentou os donos da casa, os Estados Unidos, que nunca haviam perdido um jogo oficial em seus domínios. Sob o comando de Oscar e Marcel, a Seleção Brasileira venceu por 120 a 115. Oscar foi o grande maestro da virada, provando ao mundo que o basquete brasileiro podia vencer os inventores do esporte.
Homenagens e Legado Familiar
Reconhecido internacionalmente, Oscar é membro do Naismith Memorial Basketball Hall of Fame (EUA) e do Hall da Fama da FIBA. Mesmo sem nunca ter jogado na NBA — ele recusou convites para priorizar a Seleção Brasileira em uma época em que jogadores da liga americana não podiam defender seus países —, ele sempre foi reverenciado por astros como Kobe Bryant, que cresceu vendo Oscar jogar na Itália.
Fora das quadras, o "Mão Santa" se tornou um palestrante motivacional de sucesso, levando mensagens de otimismo e garra para milhares de pessoas. Oscar deixa a esposa, Maria Cristina, e os filhos Filipe e Stephanie, além de uma nação inteira que aprendeu a amar o basquete através de seus arremessos perfeitos.
"Não foi sorte. Foi treino. Foi repetição até a exaustão." — Essa era a filosofia que o levou ao topo do mundo.