Desenrola 2.0: Governo autoriza uso do FGTS para quitar dívidas, mas impõe regras rígidas

Nova fase do programa de renegociação foca em trabalhadores de baixa renda e limita o saque a 20% do saldo; objetivo é injetar R$ 7 bilhões na economia.

BRASÍLIA – O Governo Federal oficializou as diretrizes do Desenrola 2.0, a nova etapa do programa de renegociação de débitos que traz uma novidade aguardada: a integração com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). No entanto, o acesso ao recurso não será irrestrito. Para garantir a preservação da reserva do trabalhador, o Ministério da Fazenda estabeleceu travas de segurança e critérios específicos de elegibilidade.

A Regra de Ouro: Quitação Total

Diferente de outras modalidades de saque, o uso do FGTS no Desenrola 2.0 possui uma condição primária: o trabalhador só poderá movimentar o fundo se o valor sacado for suficiente para abater integralmente a dívida renegociada.

A medida visa evitar que o cidadão desidrate sua conta do FGTS e ainda permaneça inadimplente. Portanto, o saldo do fundo funcionará como uma "ferramenta de liquidação final", garantindo que o nome do consumidor saia das listas de proteção ao crédito (como Serasa e SPC) imediatamente após a transação.

Limites e Público-Alvo

O governo também definiu um teto para a retirada, visando não descapitalizar o fundo que financia áreas como habitação e saneamento:

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  • Teto de Saque: O trabalhador poderá utilizar, no máximo, 20% do saldo total disponível em suas contas (ativas e inativas).

  • Faixa de Renda: O benefício é exclusivo para brasileiros que recebem até cinco salários mínimos (atualmente em torno de R$ 8.060,00).

  • Saque-Aniversário: Quem já optou pela modalidade de saque-aniversário — e muitas vezes possui parte do saldo bloqueado como garantia de empréstimos — também poderá participar, desde que respeitados os limites de margem disponível.

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Impacto Econômico e Expectativas

A estratégia do Palácio do Planalto é ambiciosa. A expectativa é que a medida libere cerca de R$ 7 bilhões em recursos que hoje estão parados nas contas vinculadas.

"O intuito não é apenas limpar o nome do brasileiro, mas devolver o poder de consumo para as famílias que estão estranguladas pelos juros", afirmou uma fonte ligada à equipe econômica.

Ao reduzir o estoque de dívidas das famílias, o governo espera reaquecer o mercado interno e diminuir os índices de inadimplência, que atingiram patamares recordes nos últimos anos.

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Como Funcionará?

O processo de renegociação deverá ocorrer de forma digital, por meio da plataforma oficial do programa. Lá, o sistema cruzará os dados da dívida com o saldo disponível no FGTS do cidadão, informando automaticamente se os 20% permitidos cobrem o valor total do débito com o desconto oferecido pelos credores.

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